Policial Segurança
Gaeco de Umuarama investiga policiais suspeitos de vender veículos apreendidos
Mandados de prisão e busca e apreensão são cumpridos em sete municípios do Paraná; investigação aponta irregularidades em unidades da PM
06/02/2026 09h00
Por: Alex Miranda
Divulgação

O Núcleo Regional de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do Paraná, deflagrou ontem (5) a Operação Proditio, com o cumprimento de um mandado de prisão preventiva, quatro mandados de busca e apreensão e outras medidas judiciais. A ação tem como objetivo apurar possíveis crimes cometidos por policiais militares, envolvendo a subtração e a venda irregular de veículos apreendidos em ações policiais.

As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual e cumpridas simultaneamente em diferentes municípios do Estado, entre eles Maringá, Paiçandu, Morretes, Cianorte, Japurá, São Tomé, Indianápolis e São Manoel do Paraná. A operação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e da 5ª Companhia Independente da PM, sediada em Cianorte.

De acordo com o Ministério Público, as investigações indicam que três policiais militares teriam apreendido um veículo de forma irregular e, posteriormente, retirado o automóvel de uma unidade policial, sem autorização, para vendê-lo a terceiros. O caso levantou suspeitas internas e deu início às apurações, que avançaram a partir da coleta de depoimentos, análise de documentos e cruzamento de informações.

Em um segundo episódio investigado, um dos policiais também é suspeito de ter furtado uma motocicleta que se encontrava no pátio de uma unidade da Polícia Militar, destinando o veículo à comercialização ilegal. Tanto o automóvel quanto a motocicleta foram posteriormente localizados e recuperados pela própria corporação.

Além do mandado de prisão preventiva, a Justiça determinou o afastamento de dois policiais militares de suas funções públicas, como medida cautelar, para evitar interferência nas investigações. Também foram cumpridos mandados de busca nas residências dos investigados, localizadas em Maringá, Paiçandu, Morretes e Cianorte, bem como em destacamentos da Polícia Militar nos municípios de Japurá, São Tomé, Indianápolis e São Manoel do Paraná. Três mandados de busca pessoal também foram executados.

Segundo o promotor de Justiça Guilherme Franchi da Silva, responsável pelo caso, a Operação Proditio é resultado de um trabalho investigativo minucioso e demonstra que eventuais desvios de conduta dentro das instituições de segurança pública são tratados com seriedade. Ele ressaltou que a atuação conjunta do Ministério Público, da Corregedoria da PM e do Judiciário Militar reforça o compromisso com a legalidade, a ética e a transparência.

O promotor também destacou que a apuração ainda está em andamento e que novas diligências poderão ser realizadas, inclusive com a possibilidade de surgimento de outros envolvidos ou de novos fatos relacionados aos investigados.

A Operação Proditio evidencia a importância dos mecanismos de controle interno e externo das forças de segurança, que têm como finalidade preservar a credibilidade das instituições e garantir que a atuação policial ocorra dentro da lei. O Ministério Público informou que, ao final das investigações, os suspeitos poderão responder por crimes militares e comuns, além de estarem sujeitos a processos administrativos disciplinares.