Enquanto a Assembleia Legislativa do Paraná retomou os trabalhos logo após o fim do recesso na segunda-feira, 9 de fevereiro, o Legislativo municipal de Umuarama segue fiel a um calendário próprio – e a um ritmo que desafia qualquer senso de urgência. As sessões ordinárias continuam suspensas e assim permanecerão até o fim do mês, num enredo que mistura regimento interno, coincidências do calendário e aquela tradicional tolerância brasileira com pausas prolongadas.
Formalmente, está tudo dentro da regra. O Regimento Interno da Câmara Municipal de Umuarama estabelece que o recesso parlamentar ocorre entre 15 de dezembro e 15 de fevereiro. Em 2026, porém, o último dia do recesso cai em um domingo. Pela lógica institucional, a primeira sessão ordinária deveria acontecer na segunda-feira seguinte, dia 16. Mas o calendário resolveu colaborar com o descanso: na terça-feira, 17, é Carnaval. Embora não seja feriado nacional, o evento costuma impor uma espécie de feriado informal ao poder público, especialmente quando se trata de atividades que exigem quórum, discurso e disposição política.
Com isso, a semana inteira acaba descartada. O retorno efetivo das sessões ordinárias ficou marcado apenas para o dia 23 de fevereiro, já na última semana do mês. Até lá, o plenário permanece silencioso, as votações seguem em espera e os projetos acumulam poeira institucional, aguardando o fim da folia para, finalmente, entrarem em pauta.
A Câmara, vale registrar, não fecha as portas durante o recesso. O expediente administrativo continua funcionando, servidores cumprem jornada e demandas internas seguem sendo protocoladas. O que fica suspenso são as sessões ordinárias e a contagem dos prazos regimentais, o que, na prática, paralisa qualquer avanço que dependa de debate público, votação ou decisão colegiada. É um funcionamento técnico, correto e absolutamente legal – ainda que politicamente confortável.
O contraste com o discurso recorrente de produtividade e compromisso com a cidade é inevitável. Para o cidadão que acompanha minimamente a política local, a sensação é de um janeiro estendido, um fevereiro encurtado e um Legislativo que só começa a engrenar quando o calendário já aponta para março. Tudo muito organizado, previsível e, sobretudo, sem sobressaltos.
E é justamente aí que surge a pergunta inevitável, aquela que ecoa fora dos corredores oficiais e ganha força nas conversas informais: a pergunta que se faz é alguém está sentindo falta? A ausência de sessões, debates e votações provoca algum vazio perceptível no cotidiano da cidade? Há alguma urgência represada, algum clamor popular aguardando a reabertura do plenário? Ou o silêncio institucional passa quase despercebido, como se nada de essencial estivesse realmente em pausa?
Até o dia 23, essas perguntas seguirão sem resposta oficial. O que se sabe é que, em Umuarama, o calendário político confirma mais uma vez a tradição nacional: o ano só começa depois do Carnaval – inclusive para quem foi eleito para representar a população.