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Câmara de Umuarama entra em modo GPS e batiza ruas em sessão ordinária
Enquanto problemas urbanos seguem sem CEP definido, o Legislativo dedica a sessão a rebatizar travessas — serviço essencial, ao menos para as placas de esquina
02/03/2026 12h00
Por: Alex Miranda
Assessoria/CMU

A Câmara Municipal de Umuarama realiza hoje (2), às 14h, mais uma sessão ordinária que promete ser histórica — ao menos para o Waze, o Google Maps e os Correios. Na ordem do dia, nada de debates acalorados sobre saúde, segurança, transporte público ou problemas cotidianos da população. O cardápio legislativo se resume a dois projetos de denominação de vias públicas e um terceiro que concede título de cidadão honorário. Sim, só isso.

O primeiro projeto propõe batizar a atual “Travessa 1”, no Parque Industrial II, como Rua Inêz Aparecida Escalfi, em homenagem à moradora que teve trajetória marcada pelo trabalho, pela dedicação à família e pela atuação comunitária, especialmente junto à Paróquia São Vicente Pallotti. A proposta é assinada pelo vereador Edinei do Esporte e entra em vigor na data de sua publicação — afinal, nome de rua não pode esperar.

Na sequência, o segundo projeto segue a mesma linha editorial da sessão: dar novo nome a lugar antigo. A atual Travessa “Três”, no Jardim São Cristóvão, passará a se chamar Travessa Flávio José de Souza, servidor público e ex-secretário de Saúde de Mariluz, com carreira marcada pelo trabalho no INSS. A homenagem é de autoria do vereador Jabá da Carroceria, reforçando que, se não dá para tapar buracos, ao menos dá para rebatizá-los.

Fechando a pauta enxuta, o terceiro projeto concede o Título de Cidadão Honorário de Umuarama a Geraldo Scapin, reconhecido por sua atuação profissional, política, social e religiosa na cidade desde a década de 1970. Ex-assessor e secretário municipal, Scapin também é lembrado pelo envolvimento com atividades da Diocese e pela dedicação à música religiosa, tocando violão em projetos comunitários até hoje. A proposta é assinada por Ednei do Esporte, que reaparece para garantir que a sessão não fique sem emoção — ainda que simbólica.

Diante da pauta, fica a reflexão que ecoa nos corredores e fora deles: se não houvesse sessão hoje, a população sentiria falta? Ou, indo além, sentiria diferença se não houvesse vereadores discutindo apenas nomes de ruas enquanto problemas reais seguem aguardando endereço fixo para solução?

Por ora, a cidade segue funcionando, as ruas continuam esburacadas — agora, ao menos, com nomes novos — e a política municipal mantém viva sua vocação para o essencial: garantir que nenhuma travessa fique anônima.