O Tribunal do Júri da Comarca de Umuarama inicia às 9h desta quarta-feira (11) o julgamento de um caso de feminicídio que teve grande repercussão regional. O réu é o policial penal Carlos Adriano Botelho de Assis, de 46 anos, acusado de matar a ex-companheira Vanessa dos Santos da Cunha, de 28 anos, com dezenas de golpes de faca.
A sessão será realizada no Fórum de Umuarama e será conduzida pelo juiz Adriano Cezar Moreira. A previsão do Judiciário é de que o julgamento seja prolongado, podendo se estender até sexta-feira (13), com até três dias de debates entre acusação e defesa diante do conselho de sentença.
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná, o crime aconteceu na madrugada de 28 de outubro de 2022, em uma residência localizada na avenida Olinda. O imóvel era alugado e servia como moradia do acusado.
Na época, Carlos Adriano trabalhava como policial penal na Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste, mas estava afastado das funções por motivos psicológicos.
As investigações apontam que Vanessa foi morta dentro de um dos quartos da casa. Laudo da perícia indicou que a vítima sofreu pelo menos 50 perfurações provocadas por faca, o que evidenciou a extrema violência do ataque.
O Ministério Público sustenta que o crime deve ser enquadrado como homicídio qualificado por quatro circunstâncias agravantes: motivo fútil, emprego de meio cruel, utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, por ter sido cometido em contexto de violência contra a mulher.
As primeiras informações sobre o caso surgiram após uma ligação feita à Polícia Militar. Segundo o registro da ocorrência, o próprio acusado acionou os policiais informando que havia discutido com a ex-companheira e que ambos estariam feridos após um confronto com facas.
Quando a equipe policial chegou ao endereço indicado, encontrou o homem ferido e a mulher já sem vida dentro de um quarto da residência. A cena do crime apresentava grande quantidade de sangue e múltiplos ferimentos na vítima.
Durante as investigações, o então delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Gabriel Menezes, informou que o suspeito relatou ter recebido a ex-companheira em sua casa na noite anterior ao crime.
Segundo a versão apresentada por ele à polícia, Vanessa teria ido até o local após afirmar que estava em tratamento médico em Umuarama e não conseguiu retornar para Altônia, cidade onde residia naquele período.
O acusado afirmou ainda que, durante a madrugada, os dois teriam iniciado uma discussão. Em depoimento, disse que a mulher o atingiu com uma garrafa de vodca e que, na sequência, ambos acabaram se ferindo com facas durante a briga.
Ele também declarou que teria trancado a vítima em um dos quartos da residência por acreditar que ela estaria em surto psicótico.
As apurações policiais indicaram ainda que o relacionamento entre os dois era marcado por conflitos e discussões frequentes. Informações reunidas durante o inquérito apontaram que o acusado já teria se envolvido em outras brigas em relacionamentos anteriores.
Após o ocorrido, Carlos Adriano foi preso em flagrante. A prisão foi posteriormente convertida e mantida pela Justiça durante o andamento do processo.
Atualmente, o policial penal segue detido no Complexo Médico Penal, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba.
Durante o julgamento, os jurados sorteados irão analisar as provas reunidas no processo, ouvir testemunhas e acompanhar os debates entre acusação e defesa antes de decidir se o réu será condenado ou absolvido pelas acusações de feminicídio qualificado. A defesa do acusado é realizada por advogados do escritório Bretas, com sede em Curitiba.