Política Eleições
Mudanças no governo do PR e articulações nacionais movimentam o cenário eleitoral
Saída de secretários para reassumir mandatos, possível licença do governador e articulações partidárias antecipam a disputa política no Paraná
17/03/2026 10h15
Por: Alex Miranda
Roberto Dziura Jr/AEN

O governo do Paraná deve passar por uma reconfiguração nas próximas semanas com a saída de cinco secretários estaduais que deixarão seus cargos para retomar mandatos parlamentares e se preparar para as eleições deste ano. A movimentação envolve integrantes do Partido Social Democrático (PSD), legenda do governador Ratinho Junior, e faz parte do rearranjo político típico do período pré-eleitoral.

Deixam o primeiro escalão o secretário da Saúde, Beto Preto; o secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex; a secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte; o secretário do Trabalho, Qualificação e Renda, Do Carmo; e o secretário da Agricultura e Abastecimento, Marcio Nunes.

A motivação das saídas está ligada diretamente ao calendário eleitoral. Como possuem mandatos parlamentares, os secretários retornam às casas legislativas para reorganizar bases políticas e participar das articulações eleitorais. Com isso, Sandro Alex, Beto Preto e Leandre Dal Ponte reassumem cadeiras na Câmara dos Deputados do Brasil, enquanto Marcio Nunes e Do Carmo voltam à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Com o retorno dos titulares, parlamentares que estavam exercendo os mandatos como suplentes deixam as cadeiras. Entre eles estão Rodrigo Estacho, Stephanes Junior, Luciano Alves, Nelson Justus e Reichembach, que retornam à condição de suplentes.

Licença do governador

Paralelamente à saída dos secretários, o governador Ratinho Junior também deve se licenciar temporariamente do cargo. Durante o período de afastamento, o comando do Executivo estadual será exercido pelo vice-governador Darci Piana.

A licença ocorre em meio a uma agenda política intensa do governador, que vem sendo apontado nos bastidores como um dos possíveis nomes do PSD para disputar a Presidência da República. Até o momento, porém, o partido ainda não definiu oficialmente quem será o cabeça de chapa na corrida ao Palácio do Planalto.

Enquanto a decisão não é tomada, a legenda trabalha na construção de alianças nacionais e estaduais. Entre as possibilidades discutidas pelo PSD estão aproximações com partidos como Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Republicanos.

PL articula palanque no Paraná

O cenário também movimenta adversários políticos. Diante da possibilidade de uma candidatura presidencial de Ratinho Junior, o Partido Liberal (PL) já articula a construção de um palanque forte no Paraná, estado considerado estratégico para a disputa nacional.

Segundo o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, o partido precisa garantir um candidato competitivo no estado para fortalecer um eventual projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre as alternativas avaliadas está o lançamento de uma candidatura própria ao governo estadual, como a do deputado federal Filipe Barros, ou o apoio ao senador Sergio Moro, do União Brasil.

Apoio provável

Nos bastidores, a hipótese de apoiar Moro é considerada a mais provável. No entanto, dirigentes do PL demonstram cautela diante da situação jurídica do ex-ministro, que responde a uma ação penal por calúnia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Caso seja condenado a uma pena superior a quatro anos, ele pode se tornar inelegível.

Indefinição

Diante desse cenário, a definição do partido no Paraná deve aguardar o andamento do processo judicial. Enquanto isso, as movimentações políticas no estado indicam que o tabuleiro eleitoral já começou a ser montado, com mudanças administrativas, articulações partidárias e possíveis candidaturas nacionais influenciando diretamente a política paranaense.