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Racha político redesenha disputa no Paraná e pressiona decisões de Ratinho Junior
Com a ruptura, Ratinho Junior passa a ter a missão de reorganizar sua base e redefinir alianças, tanto para a sucessão estadual quanto para a composição ao Legislativo
20/03/2026 09h30
Por: Alex Miranda
Arquivo - Tribuna Hoje News

O cenário político do Paraná atravessa um momento de forte reconfiguração após a decisão do Partido Liberal (PL) de apoiar a pré-candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) ao governo estadual. O movimento, articulado em Brasília sob a liderança de Valdemar Costa Neto e com o aval do senador Flávio Bolsonaro, representa um rompimento direto com o grupo político do governador Ratinho Junior (PSD) e redesenha o tabuleiro eleitoral para 2026.

A mudança de posição do PL tem impacto imediato nas estratégias do Palácio Iguaçu. Até então, havia um acordo político que previa o apoio da sigla a nomes alinhados ao governo estadual, inclusive na disputa pelo Senado. Com a ruptura, Ratinho Junior passa a ter a missão de reorganizar sua base e redefinir alianças, tanto para a sucessão estadual quanto para a composição das candidaturas ao Legislativo.

No centro da disputa pelo governo, Sergio Moro desponta como favorito nas pesquisas de intenção de voto, fator que motivou o apoio do PL. A avaliação interna do partido é de que o ex-juiz pode fortalecer o campo conservador no Paraná e ampliar a competitividade da legenda no cenário nacional. No entanto, sua candidatura ainda enfrenta entraves dentro da federação entre União Brasil e PP. Lideranças do PP paranaense já manifestaram resistência ao nome de Moro, o que pode dificultar a formalização de sua candidatura dentro da atual sigla.

Diante desse impasse, cresce a possibilidade de migração de Moro para o PL, hipótese que vem sendo discutida nos bastidores. A eventual mudança de partido seria uma forma de contornar o bloqueio interno e garantir viabilidade eleitoral. Ainda assim, o cenário permanece indefinido, especialmente diante de questões jurídicas envolvendo o senador, que responde a processo no Supremo Tribunal Federal e pode enfrentar riscos de inelegibilidade, a depender do desfecho do caso.

Apesar do rompimento, interlocutores próximos ao governo avaliam que o apoio de Flávio Bolsonaro a Moro deverá ocorrer de forma moderada. A estratégia, segundo aliados, visa evitar um desgaste irreversível com Ratinho Junior, que é apontado como possível candidato à Presidência da República e pode se tornar um aliado importante em um eventual segundo turno. O governador, inclusive, já aparece com dois dígitos em pesquisas nacionais, especialmente com bom desempenho na região Sul.

Enquanto o cenário externo se movimenta, Ratinho Junior intensifica as articulações internas para definir seu sucessor no Palácio Iguaçu. Três nomes concentram as atenções dentro do grupo governista: o deputado estadual Alexandre Curi, o secretário de Cidades Guto Silva e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. A escolha é considerada estratégica, já que o governador pretende transferir seu capital político ao candidato escolhido e manter a continuidade administrativa no estado.

A disputa interna, no entanto, ganhou novos contornos com a filiação de Rafael Greca ao MDB. Mesmo deixando o PSD, Greca segue alinhado ao governo e mantém sua pré-candidatura ao Executivo estadual, ampliando o leque de negociações e alianças. A movimentação foi articulada com lideranças nacionais do MDB, incluindo o presidente do partido, Baleia Rossi, e reforça o papel da legenda como peça-chave no cenário paranaense.

Senado

Outro ponto de tensão envolve a disputa pelo Senado. Com o fim do acordo com o PL, que previa apoio ao deputado Filipe Barros, o governador terá que indicar dois nomes para a corrida. A definição abre espaço para uma intensa disputa interna e para negociações com partidos aliados. Entre os nomes cogitados estão o do ex-senador Alvaro Dias, atualmente no MDB, além de lideranças que eventualmente fiquem fora da disputa pelo governo.

Há ainda especulações sobre uma possível candidatura do próprio Ratinho Junior ao Senado, caso não avance no projeto presidencial. Embora o governador já tenha negado publicamente essa possibilidade, aliados admitem que o cenário político pode levá-lo a reavaliar a estratégia nos próximos meses.

Diante desse contexto, o Paraná se consolida como um dos principais palcos da disputa política nacional em 2026. As decisões que serão tomadas por Ratinho Junior nas próximas semanas – especialmente sobre alianças, sucessão estadual e composição das chapas – terão impacto direto não apenas no futuro político do estado, mas também no equilíbrio de forças no cenário nacional.

Disputa aberta

O apoio do PL à candidatura de Sergio Moro altera o equilíbrio político no Paraná. Com liderança nas pesquisas, o senador se consolida como principal adversário do grupo governista, enquanto enfrenta desafios internos em sua atual sigla.

Jogo nacional

A possível candidatura presidencial de Ratinho Junior influencia diretamente o cenário estadual. O governador é visto como peça estratégica em um eventual segundo turno, o que leva adversários a adotarem posturas mais cautelosas.

Senado indefinido

Sem o acordo com o PL, a corrida ao Senado ficou em aberto. Ratinho Junior terá que indicar dois nomes, intensificando disputas internas e abrindo espaço para alianças com partidos como o MDB.