Policial Justiça tardia
Condenado por matar ex com 72 facadas é capturado após mais de 20 anos foragido
Captura no Paraguai encerra longa fuga e marca avanço em caso que chocou o país pela violência
16/04/2026 11h45
Por: Da Redação
MPPR

Após décadas de fuga, um homem condenado por um crime que marcou a história policial do Paraná foi finalmente localizado e preso fora do país. A captura ocorreu ontem (quarta-feira, 15), em Assunção, no Paraguai, colocando fim a um período de mais de 20 anos em que o condenado conseguiu escapar do cumprimento da pena.

O caso remonta ao final da década de 1980, quando um assassinato de extrema violência gerou grande repercussão em Londrina e ganhou destaque em todo o Brasil. A vítima, uma jovem de 21 anos, foi morta dentro de sua própria residência, em um episódio que chocou pela brutalidade e pelas circunstâncias envolvendo o relacionamento anterior com o autor.

Na época, o crime teve ampla cobertura e provocou comoção pública, principalmente pelo número de golpes desferidos contra a vítima. O casal havia se separado anteriormente e tinha uma filha, o que tornou o caso ainda mais sensível para a comunidade local.

Mesmo após ser julgado e condenado pelo Tribunal do Júri, o homem não chegou a cumprir a pena estabelecida, conseguindo permanecer em liberdade por anos. A partir da metade da década de 1990, ele passou a ser considerado foragido, dificultando o andamento da execução penal.

A prisão recente foi resultado de um trabalho articulado entre diferentes instituições brasileiras e autoridades paraguaias. A cooperação internacional e o compartilhamento de informações foram fundamentais para localizar o condenado, que vivia fora do território nacional.

Com a detenção, ele deverá ser transferido ao Brasil, onde ficará à disposição da Justiça para o início do cumprimento da pena. O caso volta a chamar atenção não apenas pelo tempo de fuga, mas também pela importância da atuação conjunta entre órgãos de segurança no combate à impunidade.

Embora o crime tenha ocorrido em um período anterior a mudanças na legislação penal, especialistas apontam que, se julgado nos dias atuais, poderia ter enquadramentos ainda mais severos. A prisão, após tantos anos, representa uma resposta tardia, mas significativa, diante de um episódio que permaneceu vivo na memória coletiva por gerações.