Policial Operação Enigma
Ex-prefeito de Goioerê é alvo do Gaeco em investigação sobre lavagem de dinheiro e movimentações milionárias
Operação cumpriu mandados no Paraná e em Santa Catarina e bloqueou mais de R$ 21 milhões em bens e contas ligadas ao empresário Luiz Roberto Costa, o Beto Costa
15/05/2026 16h30
Por: Alex Miranda
Divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Umuarama deflagrou na manhã de hoje (sexta-feira, 15) a Operação Enigma, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e sonegação fiscal envolvendo o ex-prefeito de Goioerê Luiz Roberto Costa, conhecido como Beto Costa. Segundo o Ministério Público do Paraná, ele também ocupava cargo comissionado no Governo do Estado.

A investigação aponta que empresas ligadas ao empresário teriam sido utilizadas para movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda oficialmente declarada. A operação contou com apoio do Gaeco de Santa Catarina e teve cumprimento de mandados em Goioerê, no Paraná, e em Balneário Camboriú (SC).

Conforme o Ministério Público, durante as apurações foram identificados aproximadamente R$ 5,7 milhões em recursos sem origem comprovada. Desse valor, cerca de R$ 934 mil teriam sido movimentados em espécie. As investigações também apontaram saques em dinheiro e movimentações por meio de cheques que somam quase R$ 12 milhões, sem identificação dos destinatários finais.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, incluindo diligências em dois escritórios de contabilidade ligados ao investigado. Também houve cumprimento de mandado de busca pessoal. Durante a operação, agentes apreenderam documentos, aparelhos celulares, computadores e anotações que passarão por perícia técnica para aprofundamento das investigações.

As medidas judiciais foram autorizadas pelo Juízo de Garantias da Vara Criminal de Goioerê. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, ativos financeiros e a apreensão de veículos de luxo ligados ao empresário. O valor total das medidas patrimoniais ultrapassa R$ 21,5 milhões.

Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, Beto Costa exercia cargo comissionado na Casa Civil do Governo do Paraná desde maio de 2025. Após a deflagração da operação e a comunicação oficial do suposto envolvimento nas investigações, ele foi exonerado da função pública.

O Ministério Público informou que a investigação segue em andamento e que novas diligências ainda poderão ser realizadas nos próximos dias. Até o momento, a defesa do ex-prefeito não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações.