Uma nova modalidade do chamado “Golpe do Falso Advogado” tem feito vítimas em Umuarama e em diversas cidades do Paraná. Cada vez mais sofisticados, os criminosos estão utilizando chamadas de vídeo, falsos representantes do Judiciário e até pedidos de reconhecimento facial para enganar clientes de escritórios de advocacia e obter dados bancários, senhas e transferências financeiras.
O golpe começa de maneira aparentemente convincente. Os criminosos entram em contato com a vítima se passando por integrantes de um escritório de advocacia. Em muitos casos, utilizam nomes reais de advogados, informações processuais e até fotos profissionais retiradas da internet para dar credibilidade à fraude.
Segundo relatos, os golpistas informam que o advogado responsável não poderá atender naquele momento, mas avisam que a pessoa teria um valor a receber referente a um processo judicial. Em seguida, afirmam que um suposto “Promotor do STJ” fará contato para concluir a liberação do dinheiro.
Pouco depois, a vítima recebe uma chamada de vídeo de alguém que se apresenta como integrante do Poder Judiciário. Os criminosos chegam a utilizar linguagem técnica e números de telefone com DDDs de outras regiões do país para tentar reforçar a falsa legitimidade do contato.
Durante a conversa, os golpistas solicitam extratos bancários, senhas, fotos de documentos pessoais e, em alguns casos, até reconhecimento facial pelo celular. Há relatos de vítimas que tiveram dados bancários acessados após seguirem as orientações dos criminosos.
A advogada Érica Peteno Kovalechen, Diretora da Caixa de assistência dos advogados do Paraná, professora do curso de Direito e especialista nas áreas de Direito Empresarial e Direito de Família, alerta que a Ordem dos Advogados do Brasil vem intensificando campanhas de orientação e conscientização sobre esse tipo de fraude, mas os golpes continuam crescendo devido ao elevado nível de sofisticação utilizado pelas quadrilhas.
Segundo ela, os criminosos exploram informações públicas de processos judiciais e utilizam estratégias psicológicas para convencer as vítimas de que o contato é legítimo. “Eles criam uma falsa sensação de urgência, utilizam termos técnicos e até chamadas de vídeo para transmitir credibilidade. Muitas pessoas acabam acreditando que realmente estão falando com representantes do Judiciário”, explicou.
No vídeo abaixo, a advogada Vanessa Carvalho conta como estão sendo aplicados os golpes usando seu nome e atingindo diretamente clientes
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A orientação é clara: jamais realizar transferências bancárias, fornecer senhas, compartilhar fotos de documentos ou fazer reconhecimento facial a pedido de terceiros por telefone ou videochamada.
Especialistas reforçam que escritórios de advocacia sérios não solicitam esse tipo de procedimento para liberação de valores judiciais. Em caso de dúvida, o cliente deve interromper imediatamente a conversa e procurar diretamente o escritório pelos canais oficiais já conhecidos, preferencialmente de forma presencial.
A recomendação também é registrar boletim de ocorrência caso haja tentativa de golpe ou compartilhamento indevido de dados.
O avanço desse tipo de crime acende um alerta não apenas para clientes de escritórios de advocacia, mas para toda a população. Com criminosos cada vez mais preparados e utilizando técnicas sofisticadas de engenharia social, a prevenção e a informação continuam sendo as principais armas contra as fraudes digitais.