A idoneidade de certames públicos no Sul do país está sob forte xeque. A cidade de Umuarama tornou-se um dos pontos centrais de uma ampla investigação que apura um sofisticado esquema de corrupção e adulteração de resultados em exames oficiais. Na manhã de hoje (terça-feira, 2), o município recebeu equipes policiais para o cumprimento de mandados de busca e apreensão como parte da Operação Gabarito em Branco, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) de Santa Catarina.
A ofensiva interestadual conta com o suporte estratégico do Ministério Público do Paraná (MPPR) e mira fraudes arquitetadas em concursos públicos e processos seletivos promovidos em solo catarinense. Além das investidas em Umuarama, o Gaeco também concentrou as diligências na cidade de Cascavel, no Oeste paranaense, e nos municípios de Maracajá e Meleiro, localizados em Santa Catarina, totalizando 14 ordens judiciais expedidas pela Vara Criminal.
O foco das autoridades é recolher documentos, mídias digitais, computadores e smartphones que ajudem a desvendar a dinâmica da fraude. A linha investigativa aponta que o esquema consistia em deixar cartões de resposta sem preenchimento para que fossem adulterados posteriormente, garantindo a aprovação fraudulenta de candidatos previamente selecionados pelo grupo.
O Ministério Público revelou que os indícios de favorecimento ilícito começaram a ser mapeados após denúncias de anomalias em concursos aplicados em 2023 e processos seletivos do ano de 2024.
Por determinação legal, todo o material apreendido nas residências e escritórios em Umuarama foi lacrado e encaminhado para a perícia técnica da Polícia Científica de Santa Catarina. O caso corre sob segredo de Justiça para preservar o andamento das apurações, de modo que a identidade dos alvos e os locais exatos das buscas na cidade não foram detalhados. A expectativa é de que a análise dos eletrônicos exponha a rede de intermediários, candidatos beneficiados e organizadores envolvidos no crime.