Umuarama Vida Selvagem
Vídeo mostra onça atacando criação em propriedade na Estrada Jurupoca em Umuarama
Felino tem sido flagrado com frequência em propriedade próxima ao Parque das Jaboticabeiras; IAT monitora a situação e orienta produtores rurais
05/06/2026 16h30
Por: Alex Miranda
Divulgação

A presença de uma onça-parda em uma propriedade rural localizada na Estrada Jurupoca, a cerca de dois quilômetros do Parque das Jaboticabeiras, em Umuarama, tem chamado a atenção de moradores, produtores rurais e órgãos ambientais. O felino vem sendo registrado com frequência por câmeras de segurança instaladas no local e já causou diversos prejuízos ao proprietário da área, que perdeu parte da criação de aves nos últimos meses.

O dono da propriedade, Clodoaldo Antonio da Costa, decidiu instalar equipamentos de monitoramento após perceber movimentações suspeitas no sítio. Inicialmente, a preocupação era com possíveis invasões à área rural e o desaparecimento de animais da criação. No entanto, as imagens revelaram um visitante inesperado: uma onça-parda que passou a frequentar o local durante a noite em busca de alimento.

As câmeras posicionadas nas proximidades do galinheiro flagraram diversas investidas do felino. Segundo o produtor, a onça tem aparecido praticamente todos os dias e em horários variados. Em algumas ocasiões, os ataques ocorreram durante a madrugada, mas recentemente o animal passou a circular pela propriedade em diferentes períodos, aumentando a preocupação da família.

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Os registros mostram a habilidade e a discrição do predador ao se aproximar da criação. A cada visita, a onça captura uma ave para se alimentar, geralmente galinhas ou gansos. Além disso, o ataque costuma provocar a morte de outros animais que permanecem no galinheiro. De acordo com Clodoaldo, dezenas de aves já foram encontradas mortas após as passagens do felino, gerando prejuízos financeiros e dificuldades para manter a produção.

No último sábado, o proprietário chegou a avistar a onça pessoalmente nas proximidades da propriedade. A suspeita é de que o animal esteja vivendo em áreas de mata remanescente existentes no entorno do sítio. A região abriga trechos de vegetação nativa e também o Ribeirão Piava, um dos importantes mananciais responsáveis pelo abastecimento de água de Umuarama.

Diante da frequência das aparições, fiscais do Instituto Água e Terra (IAT), por meio do Escritório Regional de Umuarama, foram acionados para acompanhar o caso. Técnicos realizaram visitas ao local e instalaram uma armadilha com o objetivo de capturar o animal de forma segura para posterior avaliação e possível relocação.

Apesar dos esforços, a estratégia ainda não apresentou resultados. Na mais recente aparição, registrada na madrugada desta semana, a onça foi filmada capturando um frango e caminhando a poucos metros da armadilha sem cair no equipamento. As imagens demonstram a cautela do animal e reforçam o desafio enfrentado pelos profissionais responsáveis pelo monitoramento.

A ocorrência não é um fato isolado na região. Nos últimos anos, registros de grandes felinos têm se tornado mais frequentes em municípios do Noroeste do Paraná. Em Umuarama, duas onças-pardas foram vistas no quintal de uma residência no ano passado e acabaram sendo afugentadas pelo cachorro da família. Já em Tapejara, a cerca de 50 quilômetros de distância, um trabalhador de uma usina registrou a passagem de uma onça-pintada caminhando tranquilamente em meio a um canavial durante o dia.

Segundo fiscais ambientais, um dos fatores que pode explicar o aumento dessas aparições é uma grande queimada registrada há aproximadamente dois anos em áreas de reserva legal e mata ciliar da região. O incêndio teria reduzido significativamente a disponibilidade de alimento para diversas espécies silvestres, obrigando animais de grande porte a ampliar suas áreas de deslocamento em busca de presas.

Além da escassez de recursos naturais, a reprodução contínua das populações de felinos também contribui para que exemplares mais jovens ou em busca de território se aproximem de propriedades rurais e até de áreas urbanizadas.

O Instituto Água e Terra orienta moradores e produtores rurais a evitarem qualquer tentativa de captura ou enfrentamento dos animais. A recomendação é comunicar imediatamente o Escritório Regional do órgão sempre que houver rastros, pegadas, imagens ou qualquer outro indício da presença de grandes felinos. O monitoramento adequado permite preservar a segurança das pessoas e também garantir a conservação de espécies fundamentais para o equilíbrio ambiental.

Equilíbrio Ambiental

A onça-parda é um dos principais predadores da fauna brasileira e exerce papel fundamental na manutenção do equilíbrio ecológico. Ao controlar populações de outras espécies, ajuda a preservar a diversidade dos ecossistemas. Apesar da imagem de animal perigoso, ataques a seres humanos são extremamente raros. Na maioria das situações, o felino evita contato direto com pessoas e busca áreas de mata para viver. O avanço das atividades humanas sobre ambientes naturais e a redução de fontes de alimento, porém, aumentam as chances de encontros próximos entre animais silvestres e moradores da zona rural.

Orientação Preventiva

Especialistas recomendam que proprietários rurais reforcem cercas, mantenham galinheiros fechados durante a noite e utilizem sistemas de iluminação e monitoramento para reduzir a vulnerabilidade das criações. Em caso de avistamento de onças ou outros grandes predadores, a orientação é não tentar capturar, perseguir ou ferir o animal. Fotografias, vídeos e registros de pegadas podem auxiliar os órgãos ambientais no acompanhamento da situação. O contato imediato com o IAT permite a adoção de medidas técnicas adequadas para proteger tanto a população quanto a fauna silvestre da região