Policial Operação Rede
MPPR desmonta esquema milionário de fraudes bancárias e cumpre 182 ordens judiciais no Paraná
Segunda fase da Operação A Rede mira organização criminosa especializada em golpes eletrônicos, invasão de contas e lavagem de dinheiro
30/06/2026 16h00
Por: Alex Miranda
Divulgação

O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Núcleo Regional de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã de hoje (terça-feira, 30) a segunda fase da Operação A Rede, uma ofensiva de grande porte contra uma organização criminosa investigada por fraudes bancárias eletrônicas, invasões de sistemas informáticos e lavagem de dinheiro.

Com o apoio da Polícia Civil e da Polícia Científica do Paraná, a operação cumpriu 182 ordens judiciais expedidas pela 3ª Vara Criminal de Ponta Grossa. Entre as medidas estão seis mandados de prisão preventiva, 49 mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo telefônico, bloqueio de contas bancárias de 24 investigados, além do sequestro de veículos e imóveis.

As diligências ocorreram nos municípios de Ponta Grossa, Carambeí, Arapoti, Foz do Iguaçu, Apucarana e Fazenda Rio Grande. Segundo o Ministério Público, as medidas buscam interromper imediatamente a atuação da organização criminosa e impedir novos prejuízos à população e aos cofres públicos.

As investigações começaram após a descoberta de uma falsa central de atendimento telefônico instalada em uma chácara de Ponta Grossa. No local, operadores eram treinados para se passar por funcionários de instituições financeiras e convencer correntistas a fornecer dados pessoais e permitir o acesso remoto aos dispositivos.

Enquanto as vítimas permaneciam ao telefone, hackers invadiam suas contas bancárias e realizavam transferências em tempo real para uma complexa rede interestadual de “laranjas”. Para dificultar o rastreamento do dinheiro, os valores eram pulverizados em contas de empresas de fachada e de pessoas físicas ligadas ao esquema.

A investigação também identificou um núcleo especializado em tecnologia, responsável pelo desenvolvimento de páginas falsas que reproduziam com fidelidade os ambientes virtuais de bancos. O grupo ainda criava programas capazes de bloquear os computadores das vítimas durante o golpe, facilitando o acesso às contas e a subtração dos recursos. De acordo com o Gaeco, a organização criminosa não fazia distinção entre as vítimas.

Escolas, entidades filantrópicas e órgãos públicos também estavam entre os alvos. Em conversas interceptadas durante a investigação, os suspeitos demonstravam desprezo pelas vítimas, exibindo fotografias de grandes quantias em dinheiro e comprovantes de transferências obtidas com os golpes. Um dos casos mais graves descobertos pelos investigadores envolveu a Prefeitura de Manfrinópolis, no Sudoeste do Paraná.

Segundo o Ministério Público, os criminosos conseguiram infectar computadores do setor financeiro e planejavam desviar mais de R$ 2 milhões das contas públicas. A ação do Gaeco impediu que o ataque fosse concretizado.

As investigações também revelaram que os lucros obtidos com as fraudes financiavam um estilo de vida luxuoso para integrantes da organização, marcado por viagens internacionais, voos em jatos particulares, passeios de jet ski e aquisição de veículos importados.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, furto qualificado mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e dimensionar o prejuízo total causado pelo esquema criminoso.