Alep Alerta Climático
Assembleia Legislativa debate prevenção aos danos causados pelo El Niño
Especialistas discutiram estratégias para reduzir riscos de alagamentos, enxurradas e deslizamentos diante da previsão de chuvas acima da média
14/07/2026 11h00
Por: Alex Miranda
Antônio More/Alep

A Assembleia Legislativa do Paraná reuniu especialistas, representantes do poder público e órgãos técnicos ontem (segunda-feira, 13) para discutir medidas de prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno El Niño no Estado. O encontro, denominado “El Niño no Paraná: prevenção, cenários e desafios”, teve como foco a preparação para eventos climáticos extremos, como alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos.

A reunião foi promovida pelo deputado estadual Evandro Araújo (PSD), vice-presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, em conjunto com o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos). O debate contou com a participação da Defesa Civil Estadual, Simepar, secretarias estaduais, universidades, prefeituras e entidades ligadas ao planejamento ambiental.

O coordenador executivo da Defesa Civil do Paraná, coronel Ivan Ricardo Fernandes, destacou que o planejamento antecipado é fundamental para reduzir os impactos do fenômeno. Segundo ele, o Estado já vem desenvolvendo ações preventivas em parceria com os municípios para enfrentar possíveis ocorrências durante a primavera e o verão.

A previsão indica que o período pode registrar volumes de chuva entre 60% e 80% acima da média esperada. Por isso, os órgãos responsáveis reforçam a necessidade de monitoramento constante e preparação das áreas consideradas mais vulneráveis.

Monitoramento e prevenção

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) informou que acompanha a evolução do fenômeno há meses. O coordenador de Operações do órgão, Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, explicou que os dados meteorológicos são compartilhados com a Defesa Civil para emissão de alertas e definição de medidas preventivas.

Segundo ele, os principais riscos associados ao aumento das chuvas são alagamentos, enxurradas e inundações, especialmente em regiões com histórico de ocorrências ou características geográficas que favorecem esses eventos.

O presidente do Simepar, Paulo de Tarso de Lara Pires, reforçou que a população deve buscar informações apenas em canais oficiais e evitar previsões sem base técnica. Ele destacou que o Paraná está ampliando sua estrutura de monitoramento com a instalação de novos radares meteorológicos e equipamentos de acompanhamento climático.

Histórico de ocorrências

Durante o encontro, especialistas também apresentaram dados sobre os impactos dos eventos climáticos registrados no Paraná nos últimos anos. Na última década, aproximadamente 6 mil desastres naturais atingiram municípios do Estado, afetando mais de 4,5 milhões de pessoas e causando prejuízos estimados em R$ 32 bilhões.

A Nota Técnica Conjunta elaborada pelo Simepar e pela Defesa Civil aponta que o El Niño deve ganhar força nos próximos meses, com maior possibilidade de impactos entre setembro e dezembro. O cenário exige atenção principalmente para ocorrências relacionadas a chuvas intensas, vendavais, enchentes e deslizamentos.

Participaram do debate representantes do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, Universidade Federal do Paraná, Universidade Estadual de Maringá, além de gestores municipais e integrantes de instituições públicas e privadas.

A iniciativa reforçou que o enfrentamento aos eventos climáticos depende da integração entre órgãos públicos, sistemas de monitoramento eficientes e participação da população na adoção de medidas preventivas.