Segurança Cooperação
PGJ do Paraná defende união internacional permanente contra o crime organizado
Francisco Zanicotti destacou a necessidade de integrar inteligência, tecnologia e investigações financeiras para combater organizações criminosas transnacionais
25/07/2026 11h00
Por: Alex Miranda
Divulgação

O procurador-geral de Justiça do Paraná, Francisco Zanicotti, defendeu a criação de uma cooperação internacional permanente para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras. A declaração foi feita durante a Conferenza di Consenso – “Para Além das Fronteiras do Crime: A Experiência de Brasil e Itália por uma Aliança de Valores contra as Máfias Transnacionais”, realizada na sede do Ministério Público de São Paulo.

O evento reuniu autoridades brasileiras e italianas para discutir formas de prevenção e repressão ao crime organizado transnacional. Zanicotti participou da mesa de abertura ao lado de representantes do Ministério Público, do Poder Executivo, da diplomacia e de instituições de segurança dos dois países.

Durante sua apresentação, o procurador-geral afirmou que o crime organizado mudou profundamente nos últimos anos e que as instituições precisam acompanhar essa transformação. Segundo ele, as facções passaram a atuar em diferentes países, utilizam redes de comunicação e tecnologias avançadas, movimentam dinheiro internacionalmente e procuram ocupar espaços na economia legal e nas estruturas públicas.

Nesse cenário, o Paraná ocupa uma posição estratégica e sensível. O Estado possui áreas de fronteira e abriga o Porto de Paranaguá, um dos principais corredores de circulação de cargas da América Latina. Para Zanicotti, essa realidade exige investimentos contínuos em inteligência, tecnologia e integração entre os órgãos responsáveis pela segurança e pela Justiça.

O PGJ defendeu que a cooperação entre países não deve ocorrer apenas em operações isoladas ou em momentos de crise. Na avaliação dele, é necessário estabelecer um modelo permanente de trabalho, com compartilhamento de informações, integração de bancos de dados, investigações financeiras conjuntas e mecanismos eficientes para localizar e recuperar bens obtidos de forma ilícita.

Outro ponto destacado foi a necessidade de enfraquecer financeiramente as organizações criminosas. Para o procurador-geral, combater apenas os integrantes das facções não é suficiente. Também é preciso acompanhar o caminho do dinheiro, identificar patrimônios, confiscar bens e impedir que recursos ilegais sejam incorporados à economia formal.

Essa estratégia, segundo Zanicotti, depende da atuação conjunta do Ministério Público, do Judiciário, das polícias, dos órgãos de inteligência e das administrações tributárias. A troca rápida de informações e a coordenação entre as instituições são consideradas fundamentais para acompanhar estruturas criminosas cada vez mais organizadas.

Ao apresentar ações desenvolvidas pelo Ministério Público do Paraná, o procurador-geral destacou investimentos em inteligência artificial, ciência de dados, integração de informações e fortalecimento das investigações patrimoniais. Também citou o trabalho do Gaeco e as operações realizadas em parceria com outras instituições no combate ao crime organizado e na recuperação de ativos.

Ao final, Zanicotti afirmou que organizações criminosas que atuam internacionalmente exigem respostas igualmente articuladas. Para ele, a proteção da sociedade, da economia legal e do Estado de Direito depende de uma cooperação contínua, baseada no compartilhamento de conhecimento, inteligência e estratégias entre instituições brasileiras e estrangeiras.

Ameaça Global

As organizações criminosas ampliaram sua atuação para além dos limites nacionais. Segundo o debate apresentado na conferência, facções utilizam redes internacionais para movimentar dinheiro, explorar falhas nas leis, usar novas tecnologias e infiltrar recursos ilegais na economia formal. Por isso, o combate ao crime exige que os países compartilhem informações e atuem de forma coordenada.

Ação Integrada

A proposta defendida pelo Ministério Público do Paraná envolve a união de diferentes instituições em investigações permanentes. Além da troca de inteligência, a estratégia inclui rastrear o dinheiro do crime, recuperar bens, integrar bancos de dados e usar tecnologia para identificar redes criminosas. O objetivo é impedir que essas organizações mantenham estruturas financeiras e ampliem seu poder.