Geral Cerco às Facções
Operação que passou por Umuarama leva MP a denunciar 333 integrantes de organização
Panóptico investigou organização criminosa comandada a partir de presídios e mobilizou mil policiais em quatro estados
12/09/2026 09h30
Por: Alex Miranda
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Umuarama está entre os municípios alcançados pela Operação Panóptico, uma das maiores ofensivas realizadas neste ano contra o crime organizado no Paraná e que agora chega a uma nova etapa. O Ministério Público do Paraná (MPPR) anunciou nesta sexta-feira (11) que 333 pessoas foram denunciadas à Justiça a partir das investigações sobre uma organização criminosa de alcance nacional que, segundo as autoridades, mantinha parte de sua estrutura funcionando de dentro dos presídios.

As acusações foram apresentadas em 72 denúncias criminais elaboradas pelos dez Núcleos Regionais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), incluindo o de Umuarama. Também participaram Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Ponta Grossa e Paranaguá.

Segundo o MPPR, entre os denunciados estão integrantes da alta cúpula da organização, inclusive um dos principais líderes da estrutura criminosa no Paraná, além de pessoas que desempenhariam diferentes funções dentro do grupo.

As denúncias atribuem aos investigados, conforme a participação individual apontada pelas apurações, os crimes de integração de organização criminosa e favorecimento ao domínio social estruturado, este previsto na chamada Lei Antifacção.

A dimensão da investigação já havia ficado evidente em 15 de junho, quando a Panóptico foi deflagrada. Naquela manhã, aproximadamente mil policiais, divididos em 204 equipes, saíram às ruas para cumprir 559 ordens judiciais: eram 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão.

A ofensiva ultrapassou as divisas do Paraná e alcançou São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Somente no território paranaense, os trabalhos ocorreram em 35 municípios, entre eles Umuarama, Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Guaíra, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Paranavaí e Curitiba.

Também houve cumprimento de ordens judiciais em Naviraí (MS), Joinville (SC), Bauru e Itapecerica da Serra (SP).

Crime operava dos presídios

Um dos pontos que mais chamou a atenção na investigação foi justamente a atuação atribuída ao grupo a partir do sistema penitenciário. Dos 304 mandados de prisão expedidos na operação, 176 tinham como alvos pessoas que já estavam encarceradas. Outras 92 buscas também foram realizadas dentro de estabelecimentos prisionais.

Para o Ministério Público, os investigados faziam parte de uma organização classificada como “ultraviolenta” e de abrangência nacional. As investigações vinham sendo desenvolvidas desde o final de 2025 em diferentes regiões do Paraná, com medidas autorizadas pelo Judiciário em diversas comarcas.

A Panóptico teve atuação integrada do Gaeco com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica. Na deflagração, aproximadamente 240 viaturas foram empregadas.

O balanço divulgado na ocasião apontou que cerca de 90% dos mandados de prisão haviam sido cumpridos. Entre as pessoas que já estavam encarceradas, todas as 176 ordens foram executadas. Dos 128 mandados direcionados a investigados que estavam em liberdade, 97 foram cumpridos naquele momento. As 255 buscas e apreensões tiveram cumprimento integral.

Drogas, armas e dinheiro

A ofensiva também retirou de circulação drogas, armas e dinheiro. Durante as diligências, foram apreendidos aproximadamente 1,2 quilo de cocaína, 670 gramas de crack e 700 gramas de maconha, além de cerca de R$ 12 mil em espécie.

Oito armas de fogo foram encontradas: duas pistolas 9 milímetros, uma pistola calibre 7.65, outra calibre .22, uma espingarda calibre 36 e três revólveres calibre .38, além de três carregadores.

Em Curitiba, os policiais localizaram um imóvel que, conforme as investigações, era utilizado para a preparação de drogas. No local havia prensa e materiais destinados à manipulação dos entorpecentes. As equipes encontraram ainda um equipamento utilizado para bloquear sinais de tornozeleiras eletrônicas.

A operação também resultou em quatro prisões em flagrante por tráfico de drogas e outras duas por obstrução à Justiça, estas relacionadas à destruição de aparelhos celulares durante as diligências.

Dois confrontos foram registrados durante o cumprimento das ordens. Em Cambé, um homem que possuía mandados por tráfico de drogas e roubo associado ao tráfico morreu após, segundo as autoridades, reagir à abordagem. Um policial militar foi atingido na mão e sofreu lesão ocular, recebeu atendimento e ficou fora de risco.

Em Nova Londrina, outro investigado, procurado por suposta integração à organização criminosa, também morreu após reagir à ação policial, conforme informado pelas forças de segurança.

O objetivo declarado da Panóptico é atingir diferentes níveis da estrutura da organização, impedir a continuidade das atividades criminosas e reunir provas capazes de esclarecer outros delitos.

O nome da operação vem do termo grego “panóptico”, associado à ideia de um local onde tudo pode ser observado. O conceito foi popularizado pelo filósofo Michel Foucault na obra Vigiar e Punir, representando uma estrutura de vigilância permanente.

A ação também segue diretrizes do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que reúne Gaecos de todo o país e atua de forma integrada com diferentes forças de segurança.

Com a apresentação das 72 denúncias contra 333 investigados, a operação deixa a fase predominantemente investigativa e avança para a responsabilização criminal perante o Judiciário. O oferecimento das denúncias, porém, não representa condenação. Caberá à Justiça analisar as acusações, assegurando aos denunciados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.

Números da Ação

A dimensão da Panóptico aparece nos números: 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão foram expedidos. Cerca de mil policiais, divididos em 204 equipes e com aproximadamente 240 viaturas, participaram da ofensiva. As ordens alcançaram Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Agora, 333 investigados aparecem como denunciados em 72 ações apresentadas pelo MPPR.

Umuarama no Mapa

Umuarama integrou a lista dos 35 municípios paranaenses onde foram cumpridas ordens judiciais durante a deflagração da Panóptico. O município também possui um dos dez Núcleos Regionais do Gaeco responsáveis pelas investigações e pelas denúncias decorrentes da operação. A ofensiva ainda alcançou cidades próximas, como Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Guaíra, Paranavaí e Maringá.

Dentro das Prisões

Parte expressiva dos alvos da Panóptico já estava atrás das grades. Dos 304 mandados de prisão expedidos, 176 foram cumpridos dentro de estabelecimentos prisionais, onde também ocorreram 92 buscas. Segundo o MPPR, a organização investigada possui abrangência nacional e mantinha atividades a partir dos presídios. Entre os denunciados estão integrantes apontados como pertencentes à alta cúpula do grupo.