Participe do nosso grupo no Whatsapp 
A filiação do senador Sergio Moro ao Partido Liberal (PL) desencadeou uma das maiores crises partidárias recentes no Paraná. Em um movimento articulado e anunciado hoje (quinta-feira, 26), em Curitiba, a ampla maioria dos prefeitos da legenda decidiu deixar a sigla, evidenciando um profundo racha interno e abrindo novas possibilidades no cenário político estadual.
Dos 52 prefeitos eleitos pelo PL no estado, 49 oficializaram a saída – o equivalente a 93% da base municipal do partido. Em outra contagem apresentada durante o anúncio, o número chega a 53 gestores, indicando praticamente a totalidade dos representantes municipais eleitos pela sigla em 2024. A debandada coletiva reflete a insatisfação com a condução interna do partido, especialmente após a definição do nome de Moro como pré-candidato ao governo do Paraná.
Segundo os prefeitos, a principal queixa foi a falta de diálogo nas decisões partidárias. Eles alegam não terem sido consultados sobre a mudança de rumo da legenda e criticam a forma como a nova liderança estadual impôs a pré-candidatura. Além disso, parte dos gestores questiona a capacidade política de Moro, apontando suposta ausência de experiência administrativa, dificuldades de articulação e desconhecimento da realidade dos municípios paranaenses.
A articulação da saída em massa foi liderada pelo deputado federal Fernando Giacobo, que também deixou o partido após perder o comando estadual da sigla. Durante a coletiva, Giacobo defendeu a decisão como estratégica e alinhada ao grupo político do governador Ratinho Junior. Em tom crítico, afirmou que não abrirá mão de coerência política e reforçou a importância de manter compromissos já firmados no estado.
O movimento ganhou força justamente após a mudança na direção estadual do PL e a consolidação do nome de Moro como principal aposta da legenda para a disputa ao Palácio Iguaçu em 2026. A saída em bloco atinge municípios importantes, como Foz do Iguaçu, Cascavel e Guarapuava, ampliando o impacto político da decisão.
Em resposta, Sergio Moro afirmou, por meio de nota, que movimentações partidárias são comuns durante o período da chamada “janela partidária” e que o PL tende a sair fortalecido após a reorganização interna. Já a nova direção estadual do partido declarou que pretende intensificar o diálogo com lideranças políticas e municipais para redefinir estratégias e manter a competitividade da sigla no Paraná.
A debandada histórica não apenas evidencia a fragilidade interna do PL no estado, como também reposiciona forças políticas para as próximas eleições. Com prefeitos em busca de novas legendas e alianças, o cenário para 2026 começa a ser redesenhado, com reflexos diretos na disputa pelo governo e no equilíbrio de poder nos municípios paranaenses.
Mín. 20° Máx. 31°