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As falhas no fornecimento de energia no Paraná estiveram em pauta, nesta terça-feira (5), durante audiência pública da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, em Brasília. Enquanto produtores rurais têm contabilizado perdas devido às frequentes quedas e oscilações de energia elétrica, a Copel propôs reajuste de 19,2%. A audiência foi requisitada e presidida pelo senador Sergio Moro.
Na ocasião, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, expôs as consequências da instabilidade no fornecimento de energia elétrica por parte da Copel, que tem causado prejuízos milionários para a produção agropecuária estadual.
“No Paraná, a energia elétrica passou a ser um fator de risco para a atividade rural. O produtor convive com quedas frequentes no fornecimento, oscilações constantes de tensão, demora excessiva no religamento, queima de equipamentos, prejuízos financeiros e morte de milhares de animais”, afirma.
Meneguette destacou que, enquanto índices apresentados pela Copel mostram um tempo médio de sete horas por ano de interrupção no fornecimento de energia, referente a 2025, o tempo real percebido pelos consumidores pode chegar a 17 horas e meia. A diferença se deve a expurgos que retiram do cálculo oficial as interrupções relativas a fatores como fenômenos climáticos e acidentes de trânsito.
“No meio rural, a situação é ainda mais grave”, salienta o presidente do Sistema FAEP. “Existe um distanciamento entre o desempenho registrado nos sistemas e aquilo que o produtor vivencia diariamente. Isso revela um problema de eficiência operacional, de gestão e de prudência nos investimentos, o que causa desdobramentos desastrosos no campo”, complementa.
João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), comentou sobre os impactos das oscilações de energia na indústria. Para fins de elaboração de indicadores de qualidade de fornecimento de energia elétrica, a Copel considera apenas as interrupções superiores a três minutos. Portanto, oscilações de tensão, que também podem causar grandes prejuízos, não entram nas estatísticas de qualidade.
“As oscilações de tensão desarmam linhas de produção nas indústrias. As linhas de produção param, há perda de matéria-prima, há problemas de retrabalho, e a oscilação não é medida”, diz o superintendente da FIEP.
Além do Sistema FAEP, da Copel e da FIEP, participaram da audiência representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senacon/MJSP) e da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
A audiência pública no Senado começou com a exibição de uma matéria jornalística, veiculada em uma emissora de TV, mostrando casos de perdas expressivas de produtores paranaenses devido ao serviço prestado pela Copel. Em Tupãssi, no oeste do Estado, uma interrupção prolongada no fornecimento de energia resultou na perda de cerca de 900 mil quilos de tilápia, com prejuízo estimado em R$ 9 milhões. Já em São Miguel do Iguaçu, também na região oeste, uma falha no fornecimento causou a morte de 20 mil frangos.
Meneguette lembrou ainda de um terceiro caso, ocorrido no município de Cruzeiro do Sul, no fim de março. Lá, um produtor de ovos ficou seis horas seguidas sem energia em sua propriedade. Isso atrasou o processamento dos ovos e, consequentemente, a entrega dos produtos nos supermercados da região.
“Sem energia não há produção agropecuária, não há geração de emprego e renda, não há um setor forte e pujante segurando a economia estadual e nacional e não há alimentos na mesa do brasileiro e do mundo”, concluiu o presidente do Sistema FAEP.
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