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Mandante de ataque com produto químico contra ex-companheira recebe mais de 23 anos de prisão

Júri popular concluiu que crime foi motivado pela não aceitação do fim do relacionamento; vítima sofreu queimaduras graves e passou semanas internada

10/06/2026 às 17h00
Por: Alex Miranda
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Reprodução
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Mais de um ano após um dos casos de violência contra a mulher que mais repercutiram no Paraná, a Justiça condenou um homem apontado como responsável por planejar um ataque com produto químico contra a ex-companheira. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri de Jacarezinho, no Norte Pioneiro, que fixou pena de 23 anos e três meses de prisão em regime fechado para Marlon Ferreira Lemes.

Os jurados entenderam que o acusado foi o mentor da ação que deixou Isabelly Aparecida Ferreira Moro gravemente ferida em maio de 2024. Durante o julgamento, prevaleceu a tese do Ministério Público de que o crime teve motivação relacionada à inconformidade do réu com o término do relacionamento, caracterizando tentativa de feminicídio qualificada.

O ataque ocorreu em plena luz do dia, em uma rua da área central de Jacarezinho. Segundo as investigações, a jovem caminhava pela via quando foi surpreendida por uma mulher que lançou contra ela uma substância corrosiva. A vítima sofreu queimaduras severas e precisou ser socorrida às pressas por equipes de emergência.

Imagens registradas por câmeras de segurança ajudaram a reconstruir os momentos seguintes ao atentado. Nas gravações, Isabelly aparece em desespero procurando ajuda enquanto os efeitos do produto químico avançavam rapidamente. Pessoas que estavam nas proximidades prestaram os primeiros socorros até a chegada do atendimento médico.

A gravidade das lesões exigiu tratamento especializado. A vítima foi encaminhada ao Hospital Universitário de Londrina, onde permaneceu internada por cerca de um mês. Os ferimentos atingiram principalmente o rosto, pescoço, tórax e regiões internas da boca, exigindo acompanhamento médico intensivo.

Ao longo da investigação, a Polícia Civil reuniu elementos que apontaram que Marlon teria organizado toda a ação mesmo estando preso por outro delito na época do atentado. A apuração identificou conversas, orientações e outros indícios que, segundo a acusação, demonstraram seu envolvimento direto no planejamento do crime.

Durante o julgamento, os jurados reconheceram agravantes relacionadas à forma de execução do ataque. Entre elas, o uso de um meio capaz de causar intenso sofrimento físico, a impossibilidade de defesa da vítima e a motivação considerada especialmente grave.

Além da pena de prisão, a sentença determinou o pagamento de R$ 50 mil a Isabelly como indenização por danos morais.

A mulher acusada de executar o ataque também responde criminalmente pelo caso. No entanto, seu julgamento foi adiado e ainda não há nova data definida para a realização da sessão do Tribunal do Júri. Ela permanece presa preventivamente enquanto aguarda a continuidade do processo.

A condenação é considerada um marco na responsabilização dos envolvidos em crimes praticados contra mulheres. O caso gerou grande comoção no Paraná e reacendeu discussões sobre violência de gênero, perseguição após o fim de relacionamentos e a necessidade de medidas de proteção mais eficazes para vítimas ameaçadas por ex-companheiros.

 

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