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Tribunal de Contas manda Umuarama abrir concurso para médicos após terceirização superar efetivos

TCE determina concurso em Umuarama após constatar maior número de médicos terceirizados que efetivos na atenção básica

23/06/2026 às 09h30
Por: Alex Miranda
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Assessoria/Secom
Assessoria/Secom

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou que o Município de Umuarama adote, no prazo de seis meses, todas as providências necessárias para a realização de concurso público destinado à contratação de médicos para a atenção básica. A decisão já transitou em julgado em 8 de junho e também obriga a Prefeitura a apresentar um Plano de Ação detalhado, com etapas, prazos, responsáveis pela execução e medidas de acompanhamento.

A determinação foi tomada após o julgamento de uma Representação apresentada pela Coordenadoria de Auditorias (CAUD), que teve como base uma auditoria realizada no município dentro do Plano de Fiscalização (PAF) 2024-2025, com foco na área da saúde. O levantamento analisou a estrutura de contratação de profissionais médicos e identificou fragilidades na gestão e na fiscalização dos contratos de terceirização.

Segundo o relatório técnico do Tribunal, foi constatado que o número de médicos terceirizados em atividade em Umuarama é superior ao de profissionais efetivos concursados. Para o TCE-PR, essa situação fere o caráter excepcional da terceirização no serviço público, que deve ser utilizada apenas em caráter temporário e mediante justificativa técnica, e não como modelo permanente de contratação na saúde.

O relator do processo, conselheiro Fabio Camargo, destacou ainda que o quadro de pessoal do município prevê 24 vagas para médicos de clínica básica, mas apenas uma delas estava ocupada por servidor efetivo no momento da auditoria. O restante da demanda estaria sendo suprido por contratos terceirizados. O conselheiro também chamou atenção para o fato de que, ao longo de aproximadamente 25 anos, o município realizou apenas três concursos públicos para a área médica, sendo que o último ocorreu em 2014, sem aproveitamento significativo dos candidatos aprovados.

Outro ponto relevante levantado pelo Tribunal foi a ausência de concursos recentes voltados à contratação de profissionais com jornada de 40 horas semanais, modelo considerado prioritário pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). De acordo com o TCE-PR, a estrutura atual de contratação não atende de forma adequada às diretrizes nacionais de fortalecimento da atenção primária em saúde.

A Corte reforçou que a terceirização de serviços médicos pode ocorrer apenas em situações excepcionais, quando houver necessidade comprovada e temporária, sempre acompanhada de medidas concretas para recomposição do quadro efetivo por meio de concurso público. Esse entendimento está fundamentado na Constituição Federal e na jurisprudência consolidada do próprio Tribunal de Contas.

Atendimento continua

A decisão também esclarece que não há determinação para interrupção imediata dos contratos em vigor. O município deverá, entretanto, organizar um planejamento gradual para substituição dos profissionais terceirizados por servidores concursados, garantindo a continuidade dos atendimentos e evitando prejuízos à população.

Prestação de contas

Além da realização do concurso público e da apresentação do Plano de Ação, a Prefeitura de Umuarama terá de encaminhar ao TCE-PR relatórios trimestrais detalhando o andamento das medidas adotadas, os avanços na recomposição do quadro efetivo e os documentos comprobatórios das ações executadas.

Estabilidade

Segundo o Tribunal, o objetivo da decisão é fortalecer a estrutura da atenção básica no município, garantindo maior estabilidade no atendimento à população, melhoria na gestão dos serviços de saúde e pleno alinhamento com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que prioriza a atuação de servidores efetivos na rede pública.

Nota do Município

“Diante da determinação do TCE-PR, a Prefeitura informa que já está realizando os procedimentos técnicos necessários para a realização do concurso público, visando a contratação de médicos efetivos para atendimento nas unidades da Secretaria de Saúde. A medida visa solucionar um problema que se estende por cerca de 25 anos – quando foram realizados apenas três concursos públicos para a contratação de médicos da atenção básica (o último em 2014). A expectativa é realizar o concurso público dentro do prazo estabelecido”.

 

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