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O que parecia ser um pedido desesperado de socorro feito por uma filha acabou se revelando um sofisticado golpe de inteligência artificial em Umuarama. Uma família do município viveu momentos de tensão no último domingo (28), quando recebeu uma videochamada em que a imagem e a voz da filha, uma técnica em enfermagem, foram reproduzidas com impressionante fidelidade por criminosos. Convencidos de que ela havia sofrido um grave acidente, os pais chegaram a iniciar uma transferência de R$ 5 mil via Pix. O prejuízo só foi evitado por uma coincidência que mudou o desfecho da história: a verdadeira jovem entrou em casa segundos antes da conclusão do pagamento.
Segundo a família, a ligação não despertou qualquer suspeita. Na tela do celular aparecia a filha usando o uniforme do hospital onde trabalha, enquanto a voz reproduzia com precisão seu jeito de falar. Durante a conversa, a falsa vítima dizia estar envolvida em um acidente e afirmava precisar do dinheiro com urgência para resolver a situação.
Além da aparência praticamente idêntica, os criminosos demonstravam conhecer detalhes da vida da família. Informações como nomes, rotina e o local de trabalho da jovem eram mencionadas durante a conversa, aumentando ainda mais a credibilidade da fraude e fazendo com que os pais acreditassem estar diante de uma emergência real.
Enquanto a mãe tentava entender o que havia acontecido, o pai iniciou a transferência bancária. A operação só não foi concluída porque a filha retornou inesperadamente para casa.
Ela havia saído do hospital durante um intervalo do expediente para buscar o celular, que havia esquecido antes de ir ao trabalho. Como segue as normas da instituição onde atua, o aparelho permanece guardado durante o expediente e não é utilizado enquanto está em atendimento. Ao entrar na residência, encontrou os pais desesperados e prestes a concluir o pagamento.
Assim que perceberam que a jovem estava bem, a família entendeu que se tratava de uma fraude. No mesmo instante, a videochamada foi encerrada pelos criminosos, que bloquearam imediatamente o contato utilizado para aplicar o golpe.
Ainda abalados, os familiares decidiram divulgar o episódio para alertar outras pessoas sobre o avanço desse tipo de crime, que utiliza recursos de inteligência artificial para reproduzir rostos, vozes e expressões faciais com alto grau de realismo.
Conhecida como deepfake, a tecnologia vem sendo empregada por criminosos para criar vídeos extremamente convincentes, explorando situações de forte impacto emocional. Especialistas em segurança digital alertam que esse tipo de fraude tende a se tornar cada vez mais frequente à medida que as ferramentas de inteligência artificial se tornam mais acessíveis.
Outro fator que favorece esse tipo de golpe é a grande quantidade de informações pessoais compartilhadas nas redes sociais. Fotografias, vídeos, locais frequentados, profissão, parentes e hábitos cotidianos podem ser utilizados para construir histórias capazes de convencer até mesmo familiares próximos.
Depois do susto, a família mudou a forma de utilizar as redes sociais e passou a restringir a divulgação de informações pessoais. Também decidiu adotar novas medidas de segurança para situações de emergência.
Especialistas recomendam que pedidos urgentes de dinheiro nunca sejam atendidos sem confirmação por outro meio de comunicação. A orientação é fazer uma ligação direta para a pessoa envolvida, estabelecer palavras-código entre familiares e desconfiar de qualquer solicitação financeira feita sob pressão emocional, mesmo quando a imagem e a voz pareçam autênticas. Em tempos de inteligência artificial, a principal defesa contra esse tipo de golpe continua sendo a verificação cuidadosa das informações antes de qualquer transferência bancária. (Colaboração - Rosi Rodrigues)
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