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O presidente da Câmara Municipal de Xambrê, vereador Ademir Leite da Silva, voltou a ser temporariamente afastado das funções no Legislativo em meio a uma crise que envolve uma investigação por violência doméstica, uma prisão preventiva decretada pela Justiça e uma tentativa frustrada de cumprimento do mandado de prisão. A nova licença, de 60 dias, foi oficializada pela Câmara por meio da Portaria nº 21/2026, publicada ontem (4), com efeitos retroativos a 30 de julho.

Esta é a segunda vez que a Câmara Municipal de Xambrê licencia temporariamente Ademir da presidência do Poder Legislativo. A primeira portaria concedeu ao vereador um período de 45 dias de licença. Agora, o novo afastamento foi autorizado para que ele trate de interesses particulares.
De acordo com o documento, o pedido foi apresentado pelo próprio parlamentar, por meio de procurador, e recebeu parecer favorável da Procuradoria Jurídica e da Comissão de Justiça, Redação, Serviços e Obras Públicas da Câmara. A portaria foi assinada pelo vice-presidente do Legislativo, Edinalvo Lima Venturi.
A nova licença ocorre enquanto Ademir é alvo de uma prisão preventiva determinada pela Justiça de Xambrê. Em maio, policiais foram até a residência do vereador para cumprir o mandado. Segundo a Polícia Civil, após ser informado sobre a ordem judicial, ele teria deixado o imóvel pelos fundos e não foi localizado.
O delegado de Xambrê, Antônio Romeiro, confirmou na época que o investigado fugiu após tomar conhecimento da prisão. Um vídeo registrado pelo próprio vereador mostra parte da abordagem policial realizada na residência.
A investigação teve origem em uma ocorrência registrada na madrugada de 1º de maio, envolvendo uma ex-companheira do parlamentar. Conforme o relato apresentado à Polícia Militar, a mulher, de 27 anos, trafegava de motocicleta nas proximidades da Prefeitura de Xambrê quando teria sido abordada por Ademir, que dirigia um Toyota Corolla.
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher afirmou que o vereador teria descido do veículo, segurado seus braços, feito ameaças, torcido o braço direito dela, tentado esganá-la e a empurrado contra uma floreira. Ainda conforme o relato, a chave da motocicleta teria sido arremessada para um terreno próximo.
A vítima recebeu atendimento médico e, diante da suspeita de fratura, foi encaminhada para atendimento especializado em Umuarama.
A apuração passou a envolver, em tese, os crimes de lesão corporal, ameaça e descumprimento de medida protetiva de urgência. A prisão preventiva foi posteriormente decretada pela Justiça.
A prisão preventiva não representa condenação definitiva. A defesa do vereador contestou a decisão judicial e apresentou argumentos em favor de Ademir, entre eles a alegação de que a ex-companheira teria posteriormente se retratado e minimizado os fatos.
Em maio, o Tribunal de Justiça do Paraná analisou um habeas corpus apresentado pela defesa do parlamentar.
Além da investigação criminal, o caso também provocou consequências políticas dentro da Câmara Municipal. Em junho, os vereadores aprovaram por unanimidade a abertura de uma Comissão Processante para analisar uma denúncia contra Ademir.
O procedimento poderá avaliar eventual responsabilidade político-administrativa e possível quebra de decoro parlamentar.
Com a nova licença de 60 dias, o vereador permanece afastado temporariamente das atividades relacionadas à presidência do Legislativo. Apesar disso, até a publicação desta matéria, as páginas oficiais do município e da Câmara ainda identificavam Ademir Leite da Silva como presidente do Poder Legislativo de Xambrê.
A situação permanece sob análise nas esferas judicial e política, e os fatos atribuídos ao vereador ainda são objeto de apuração.
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