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A saúde mental dos adolescentes, os impactos do uso excessivo das telas e o papel da família na prevenção do sofrimento emocional são os temas da nova edição do Assembleia Entrevista, da TV Assembleia do Paraná. A entrevistada da semana é a psicóloga Fabiana Canda, que faz um alerta para o aumento dos casos de ansiedade, isolamento social e tristeza entre os jovens. O programa foi ao ar hoje (6), às 13 horas.
Durante a entrevista, Fabiana destaca um dado preocupante: três em cada dez adolescentes convivem com tristeza constante e isolamento social. Segundo ela, a ansiedade e o sentimento de não pertencimento estão entre as principais queixas que chegam atualmente aos consultórios de psicologia. Para a especialista, a combinação entre excesso de informações, comparações constantes nas redes sociais, conflitos familiares e o uso indiscriminado das telas cria um ambiente propício ao sofrimento emocional.
"A enxurrada de informações faz com que muitos adolescentes sintam que nunca são bons o suficiente ou que não pertencem a lugar nenhum. Isso favorece o isolamento e a tristeza", explica.
A psicóloga reforça que a adolescência ainda é uma fase cercada por preconceitos e incompreensões. Para ela, esse período representa um momento de descobertas e construção da identidade, exigindo acolhimento e orientação dos pais.
"Os adolescentes precisam de pais que caminhem ao lado deles. Existe um momento em que muitos pais soltam a mão dos filhos por medo de superprotegê-los, mas eles ainda precisam dessa presença. É como empinar uma pipa: precisamos dar linha para que ela voe, mas nunca deixar de segurá-la", comenta.
O programa também discute o impacto do uso excessivo das telas desde a infância. A psicóloga lembra que, quando os primeiros dispositivos eletrônicos se popularizaram, havia a promessa de estimular o desenvolvimento cognitivo. No entanto, o cenário atual é diferente.
"Hoje vemos bebês com celulares e tablets nas mãos. Perdemos a medida, inclusive nós, adultos. Uma pesquisa norte-americana mostra que adolescentes que permanecem mais de seis horas por dia nas redes sociais têm quatro vezes mais chances de desenvolver ideação suicida ou praticar automutilação. Isso é muito sério."
Apesar dos riscos, Fabiana ressalta que a tecnologia não deve ser demonizada, mas utilizada com consciência. Ela compara o uso das telas ao consumo de doces ou fast food: o problema está no excesso. Entre as estratégias sugeridas estão estabelecer regras claras, firmar acordos familiares sobre o uso dos aparelhos e explicar aos filhos que a supervisão dos pais representa cuidado, e não invasão de privacidade. "Os pais precisam explicar que vão acompanhar o que os filhos acessam porque querem protegê-los. O celular também pode machucar", disse.
Ao falar sobre os fatores que favorecem o isolamento emocional, a psicóloga destaca que a ausência da família costuma ser um dos principais gatilhos. Pais sobrecarregados, estressados ou emocionalmente distantes dificultam a criação de vínculos, justamente quando os adolescentes mais precisam de acolhimento.
"Eles querem presença, não julgamento. Os pais precisam primeiro entrar no mundo dos filhos para entendê-los. Só depois conseguem trazê-los para o seu próprio mundo e estabelecer essa conexão."
O programa "Assembleia Entrevista", da TV Assembleia, pode ser assistido sintonizando o canal 10.2 (TV Aberta, em Curitiba e Região Metropolitana) e o canal 16 (Claro/NET). O programa é transmitido às quintas-feiras, às 13 horas, no canal da TV Assembleia, com reprise às 18 horas.
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