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Integrantes de Movimento Sem Terra que invadiram Fazenda Santa Fé começam a deixar a propriedade

Decisão judicial desmobilizou os integrantes do Movimento que já começaram a desocupar as terras invadidas em Xambrê

03/01/2026 às 12h00
Por: Alex Miranda
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Arquivo - Tribuna Hoje News
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Famílias vinculadas a movimentos sociais começaram a deixar a Fazenda Santa Fé, localizada no município de Xambrê, após a Justiça determinar a reintegração de posse da área. A saída dos ocupantes teve início ontem (sexta-feira, 2) e ocorre depois da expedição do mandado judicial que autorizou a retomada do imóvel pelos administradores.

A informação foi confirmada pelo Escritório de Advocacia Sousa e Uliana, responsável pela defesa da Associação Colaboradores do Brasil (Colab), entidade que administra a propriedade. Segundo os advogados, o processo de desocupação está em andamento. “A maior parte das famílias já se retirou, restando apenas alguns grupos. A expectativa é de que a área esteja totalmente desocupada ainda no final de semana”, informou a assessoria jurídica.

A ocupação começou no último sábado (27) e reuniu cerca de 250 pessoas ligadas à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e ao Movimento Terra e Alimento (MTA). A fazenda possui aproximadamente 942 hectares, está situada na Estrada Cascata e é composta por diversas matrículas imobiliárias.

Na noite da segunda-feira (29), a juíza Polyanna Tamaio Zanineli, da Unidade Regionalizada de Plantão Judiciário de Umuarama, expediu o mandado de reintegração de posse, autorizando o cumprimento imediato da decisão, inclusive com possibilidade de apoio policial, caso fosse necessário.

Desde o início da ocupação, equipes da Polícia Militar permaneceram na região. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp), a atuação teve caráter preventivo, com patrulhamento constante para garantir a segurança de todos os envolvidos e evitar conflitos.

A Colab informou que não participou de negociações diretas com os ocupantes e afirmou ter confiado desde o início no cumprimento da decisão judicial. A entidade também destacou que a presença de cerca de duas mil cabeças de gado na propriedade aumentava a urgência da desocupação, diante do risco de prejuízos ao manejo dos animais.

Durante o impasse, os movimentos ingressaram com recursos judiciais para tentar suspender a liminar, incluindo embargos de declaração e um mandado de segurança, cuja liminar foi negada. Em manifestações públicas, as lideranças defenderam a permanência das famílias com base em argumentos humanitários.

O Incra chegou a discutir a possibilidade de aquisição da área para reforma agrária, hipótese que foi encaminhada à Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça do Paraná. Criada na década de 1950 por missionários norte-americanos, a Fazenda Santa Fé é atualmente dedicada à pecuária de corte e, segundo a Colab, já foi classificada como produtiva em vistorias anteriores.

 

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