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Corpo escondido em sofá: investigação revela que convivência com cadáver terminou após mau cheiro em Umuarama

Polícia Civil aponta que pessoas permaneceram na casa após o assassinato e só deixaram o local quando a decomposição tornou o ambiente insuportável

07/01/2026 às 15h57
Por: Alex Miranda
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Alex Miranda
Alex Miranda

O homicídio que chocou moradores do Parque Alphaville I, em Umuarama, ganhou contornos ainda mais perturbadores com o avanço das investigações da Polícia Civil. Apurado pelos investigadores, o crime não se resume apenas à violência que matou Fernando Ribeiro da Silva, mas também ao fato de que pessoas que estavam no local no momento do assassinato continuaram convivendo com o corpo, deixando a residência apenas quando o mau cheiro da decomposição tornou impossível a permanência no imóvel.

O caso veio à tona no dia 4 de janeiro de 2026, quando o corpo de um homem foi localizado em avançado estado de putrefação, escondido dentro de um sofá abandonado na Rua Francisco Rodrigues Júnior, em via pública. A cena, inicialmente cercada de mistério, deu início a uma série de diligências que permitiram à Polícia Civil esclarecer a dinâmica do crime, identificar a vítima e chegar ao principal suspeito.

Após dias de trabalho investigativo, os policiais identificaram como autor do homicídio o homem C.L.C., de 44 anos. A partir da localização do suspeito, também foi possível confirmar a identidade da vítima: Fernando Ribeiro da Silva, de 43 anos, ambos naturais do Estado de São Paulo, mas residentes em Umuarama.

Segundo as investigações, Fernando foi morto por espancamento, após sofrer agressões físicas violentas. O suspeito nega a autoria do crime, o que impede, neste momento, a definição exata da motivação. No entanto, a Polícia Civil reuniu provas consideradas contundentes, que apontam para sua responsabilidade direta no homicídio. A principal linha investigativa indica que o crime ocorreu após uma discussão entre as partes, em um contexto de consumo de álcool e drogas.

O assassinato ocorreu no interior da residência da própria vítima, localizada na Rua Benvenuto Gazzi, a poucos metros de onde o sofá com o corpo foi posteriormente abandonado.

O assassinato

Conforme apurado, a morte aconteceu na noite de 31 de dezembro, por volta das 23h. O que mais chama a atenção dos investigadores é que, após o óbito, o autor do crime e outras pessoas permaneceram no imóvel, utilizando normalmente o local, mesmo com o corpo de Fernando no mesmo ambiente.

Com o passar dos dias, o processo de decomposição avançou e o odor forte passou a dominar a residência. Foi somente diante da impossibilidade de permanecer no local que os envolvidos decidiram colocar o corpo dentro de um sofá e descartá-lo nas proximidades da casa. A desova ocorreu no dia 2 de janeiro, dois dias antes da localização do cadáver pela Polícia Militar.

Outros envolvidos

As investigações apontam que ao menos quatro outras pessoas participaram direta ou indiretamente da morte, da ocultação do cadáver e da posterior desova em via pública. Todos esses indivíduos já foram identificados, e a Polícia Civil trabalha agora para representar pela prisão dos envolvidos, aprofundando a responsabilização criminal de cada um.

Embora investigado pelo homicídio, C.L.C. foi autuado em flagrante, por volta das 23h de ontem, por integrar organização criminosa, conforme o artigo 2º da Lei nº 12.850/2013. Durante as apurações, a Polícia Civil constatou que ele é membro ativo do Primeiro Comando da Capital (PCC), informação que foi confirmada pelo próprio suspeito em depoimento.

O homem recebeu voz de prisão e permanece recolhido na cadeia pública de Umuarama, à disposição da Justiça. Apesar de não possuir registros de passagens policiais no Paraná, o vínculo com a organização criminosa pesou para a prisão imediata.

Já a vítima, Fernando Ribeiro da Silva, possuía diversas passagens policiais, principalmente por violência doméstica, envolvendo ameaças e lesões corporais. A Polícia Civil segue com as investigações para concluir o inquérito, esclarecer a participação de todos os envolvidos e formalizar as acusações.

O caso expõe não apenas a brutalidade do crime, mas também uma dinâmica chocante, em que a vida seguiu ao redor de um cadáver até que o cheiro da morte rompesse qualquer limite, revelando uma sequência de omissões, violência e desprezo pela dignidade humana.

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