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Ortopedista de Toledo é condenado a 10 anos de prisão por cobrar pacientes por cirurgias do SUS

Acusado de exigir valores indevidos de usuários do SUS, profissional foi sentenciado por múltiplos crimes que impactaram famílias em situação de vulnerabilidade

11/02/2026 às 10h00
Por: Alex Miranda
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Ilustrativa
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O Poder Judiciário do Paraná determinou a condenação de um médico ortopedista de Toledo que cobrava valores de pacientes para realizar procedimentos cirúrgicos que deveriam ser custeados integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A denúncia, apresentada pela 4ª Promotoria de Justiça de Toledo, levou à condenação do profissional por 11 crimes de corrupção passiva, cometidos entre 2015 e 2017, com pena de 10 anos de reclusão em regime inicial fechado, além do pagamento de 250 dias-multa — cada um equivalente a meio salário mínimo vigente na época dos fatos.

Segundo as investigações, o médico solicitava a pacientes ou seus familiares, tanto em consultas quanto em momentos próximos às cirurgias em unidades hospitalares da cidade, pagamentos que iam de R$ 50 a R$ 200 sob a justificativa de que seriam destinados a anestesistas ou serviços que supostamente não tinham cobertura pelo SUS. Muitos dos usuários, já em situação delicada de saúde e com limitação financeira, contraíram dívidas para efetuar esses pagamentos, acreditando ser essa a única forma de garantir a realização de seus procedimentos.

Especialistas em direito público ouvidos por este jornal destacam que a prática não só é uma violação direta à legislação que rege o SUS, que garante a gratuidade dos serviços de saúde pública, como também representa uma grave infração ético-criminal quando praticada por profissionais que ocupam posição de confiança no sistema. O Ministério Público ressaltou que a ação visa proteger usuários vulneráveis e coibir práticas que transformam serviços públicos em bens de compra e venda.

Este caso em Toledo se soma a outras situações recentes em que o Judiciário paranaense puniu médicos por irregularidades envolvendo pagamentos para atendimento no SUS, o que reforça a atuação do Ministério Público na defesa dos princípios constitucionais da saúde pública.

A defesa do médico ainda pode recorrer da decisão em instâncias superiores, mas a sentença de primeira instância já representa uma forte mensagem contra a corrupção de serviços essenciais no país. As autoridades envolvidas afirmam que continuarão vigilantes para garantir que o acesso à saúde gratuita e universal seja respeitado.

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