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O anúncio feito na tarde de ontem (23) pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), pegou de surpresa lideranças políticas do Estado e do país. Havia a expectativa de que, ainda nesta semana, fosse oficializada sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSD. No entanto, em uma reviravolta, o governador decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato, desistindo da disputa presidencial.
A decisão tem impacto direto na corrida pelo Governo do Paraná. Fora do cenário nacional, a tendência é que Ratinho Junior atue de forma mais intensa na eleição estadual, percorrendo o Estado ao lado do candidato que escolher para sua sucessão — nome que, até o momento, segue indefinido e concentra a atenção de aliados e adversários.
Nos bastidores, uma das primeiras consequências do novo cenário pode ser a tentativa de reaproximação com o PL, legenda ligada ao senador Flávio Bolsonaro. O movimento ocorre em meio à reorganização das forças políticas no Estado, especialmente diante da presença do senador Sergio Moro no tabuleiro eleitoral, o que pode levar o PSD a buscar alianças mais competitivas no Paraná.
Segundo nota divulgada pela equipe do governador, a decisão foi tomada na noite de domingo (22), após conversa com familiares, e comunicada ao presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab ontem.
No comunicado oficial, Ratinho Junior afirma estar convicto de que deve honrar o compromisso firmado com os paranaenses desde sua eleição, em 2018, e dar continuidade ao projeto de gestão no Estado. O texto destaca indicadores considerados positivos pela administração, como altos índices de aprovação, avanços na educação, redução da criminalidade e investimentos em infraestrutura e sustentabilidade.
Ainda de acordo com o informe, mesmo fora do debate presidencial, o governador seguirá atuando politicamente dentro do PSD, defendendo pautas como a redução da burocracia, o endurecimento das leis criminais e o fortalecimento do agronegócio brasileiro no cenário internacional.
Reeleito em 2022 com ampla vantagem, Ratinho Junior sustenta que continuará contribuindo para o debate nacional a partir do Paraná, com foco em uma gestão pública mais enxuta e eficiente, além de apostar na educação e no diálogo como pilares do Estado Democrático de Direito.
Ao fim do mandato, em dezembro, o governador pretende retornar à iniciativa privada e assumir a presidência do grupo de comunicação da família. A decisão de permanecer no cargo repercute diretamente no cenário eleitoral de 2026, sobretudo dentro do PSD, que agora terá de definir um novo nome para a disputa presidencial.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que, com a desistência de Ratinho Junior, o PSD deverá lançar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato à Presidência da República. O anúncio oficial é aguardado para os próximos dias. Outro nome cogitado, o governador Eduardo Leite, já teria sido comunicado sobre a definição interna do partido.
Em almoço político com os 43 deputados da base aliada, também ontem (23), no Palácio Iguaçu, o governador Ratinho Junior reforçou o discurso de unidade do grupo governista para as eleições deste ano, mas evitou indicar quem será seu candidato à sucessão.
Durante o encontro, o governador agradeceu o apoio do Legislativo, destacando a aprovação integral dos projetos encaminhados pelo governo à Assembleia. Em tom motivacional, ressaltou a importância de preservar o que chamou de “Paraná que vem dando certo”.
Nos bastidores, porém, o principal tema seguiu sem resposta. Não houve sinalização sobre o nome que será apoiado na disputa pelo Palácio Iguaçu, mantendo em alerta lideranças da base. Entre os presentes, chamou atenção o comportamento do secretário das Cidades, Guto Silva, apontado como um dos possíveis postulantes. Segundo relatos, ele aparentava estar mais abatido do que o habitual, percepção que circulou entre deputados.
Como gesto concreto, o governador anunciou a última liberação de emendas parlamentares de sua gestão e garantiu que os recursos já acordados — especialmente nas áreas das Cidades e da Agricultura — serão integralmente cumpridos.
A sinalização busca conter a apreensão que vinha crescendo no Centro Cívico, sobretudo entre prefeitos e parlamentares, diante do volume expressivo de compromissos financeiros firmados com os municípios.
Ao final, os deputados deixaram o encontro bem servidos, mas ainda sem a principal resposta: quem será o candidato do grupo ao governo do Estado. A definição, segundo interlocutores, deve ocorrer nos próximos dias.
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