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A madrugada de Umuarama resolveu inovar no entretenimento urbano e entregou, por volta das 4h16 do sábado (25), uma cena que misturou suspense psicológico, corrida de rua e figurino… inexistente.
Durante patrulhamento de rotina, a equipe da Polícia Militar foi alertada por populares sobre um homem que estaria correndo completamente sem roupas pelas vias da cidade, vestindo apenas uma tornozeleira eletrônica.
Após diligências, o protagonista da história foi localizado na Avenida Londrina, nas proximidades da Praça Portugal. Longe de qualquer tentativa de performance artística, o homem, de 31 anos, estava visivelmente alterado, passando mal e pedindo socorro.
Na abordagem, explicou o enredo: havia feito uso de entorpecente em grande quantidade e acreditava estar sendo perseguido. Ou seja, na cabeça dele, a corrida fazia todo sentido – ainda que, para quem assistia de fora, parecesse apenas mais um episódio caótico da vida real superando a ficção.
Diante da situação, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou o homem para atendimento médico. A prioridade, afinal, deixou de ser a falta de roupas e passou a ser a falta de condições de saúde naquele momento.
Um detalhe que adiciona mais uma camada ao roteiro: o indivíduo utilizava tornozeleira eletrônica, em razão de medida judicial relacionada a um crime de assalto. Ainda assim, naquela madrugada, o problema não era exatamente fugir da lei – mas, aparentemente, de algo que só ele conseguia ver.
Apesar do cenário que poderia facilmente render interpretações precipitadas, a situação não foi tratada como crime. Para configurar ato de exposição indecente, por exemplo, segundo a polícia, é necessário haver intenção (o famoso “dolo”), o que claramente não parecia ser o caso. Em surto, desorientado e pedindo ajuda, o homem estava mais para paciente do que para infrator naquele momento.
A Polícia Militar atuou dentro do esperado: controlou a situação e acionou socorro médico. Já a análise sobre eventual responsabilização fica para outras esferas – porque, nem sempre, o que parece caso de polícia é, na verdade, caso de saúde.
E assim, entre o inusitado e o preocupante, a madrugada segue lembrando que, às vezes, a realidade dispensa roteiristas.
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