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Computadores, notebooks e monitores que já não atendem às necessidades tecnológicas de uma instituição pública não precisam necessariamente virar sucata. No Paraná, milhares desses equipamentos estão ganhando uma segunda vida e ajudando estudantes a terem maior acesso à tecnologia dentro das escolas.
Desde 2020, o Ministério Público do Paraná (MPPR) já destinou 5.061 equipamentos de informática a entidades, associações e instituições de diferentes regiões do Estado. São computadores, monitores, impressoras, notebooks e outros materiais que ainda estão em condições de uso, embora tenham deixado de atender aos requisitos tecnológicos e de segurança exigidos pelo órgão.
Do total repassado, 1.632 equipamentos, aproximadamente 32%, foram destinados diretamente a instituições públicas de ensino e entidades de apoio à infância. A lista inclui escolas municipais, Apaes, Centros Estaduais de Educação Profissional (Ceep), colégios públicos cívico-militares e creches.
Um exemplo ocorreu na última sexta-feira (14), quando a Escola Municipal Papa Paulo VI, em São José dos Pinhais, recebeu 20 notebooks. Os equipamentos foram apresentados inicialmente aos alunos do 4º ano, mas poderão ser utilizados por estudantes de toda a unidade.
Segundo a diretora Deise Cristina Voltolini, os computadores vão ampliar as possibilidades de pesquisas, alfabetização e projetos desenvolvidos em sala de aula. Um dos trabalhos em andamento, por exemplo, aborda o Egito e poderá contar com os notebooks como ferramenta de pesquisa.
Os equipamentos não saem dos escritórios diretamente para as escolas. Antes de cada doação, passam por um processo realizado pela área de Tecnologia da Informação do MPPR.
De acordo com o diretor do Departamento de Tecnologia da Informação, José Henrique Alves Marçal, os computadores passam por limpeza completa dos dados anteriormente armazenados, instalação de novos sistemas operacionais, higienização e testes.
Isso permite que máquinas consideradas inadequadas para os rígidos padrões de segurança do Ministério Público continuem sendo utilizadas normalmente em atividades educacionais ou administrativas de outras entidades.
Além do benefício para estudantes e instituições, o programa também evita o descarte antecipado de toneladas de lixo eletrônico.
Equipamentos de informática possuem componentes como plásticos, baterias e metais que podem provocar impactos ambientais quando descartados de maneira incorreta. Ao prolongar a vida útil das máquinas, o programa reduz a geração de resíduos e coloca em prática princípios da chamada economia circular.
A iniciativa também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), ao combinar reaproveitamento de materiais, responsabilidade ambiental e inclusão.
Outro ponto destacado pelo MPPR é o aproveitamento do investimento realizado originalmente com recursos públicos. Em vez de permanecerem armazenados até perder completamente o valor ou serem vendidos como sucata por preços reduzidos, equipamentos ainda funcionais retornam à própria sociedade.
Para o subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Administrativos, Maximiliano Ribeiro Deliberador, a iniciativa permite que o dinheiro público investido anteriormente continue produzindo benefícios sociais.
Na prática, uma máquina que encerrou sua trajetória dentro do Ministério Público pode iniciar outra em uma sala de aula. Para uma criança que precisa pesquisar, aprender a utilizar ferramentas digitais ou desenvolver um projeto escolar, aquele computador considerado antigo em um escritório ainda pode representar uma porta aberta para conhecimento, inclusão e novas oportunidades.
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