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Operação que passou por Umuarama e Cruzeiro do Oeste resulta em denúncia contra 49 pessoas

Investigação contra organização criminosa de atuação nacional avançou a partir de provas de operações conduzidas originalmente pelo Gaeco de Umuarama

27/08/2026 às 14h00
Por: Alex Miranda
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Arquivo - MPPR
Arquivo - MPPR

Uma ofensiva contra o crime organizado que teve atuação direta em Umuarama, Cruzeiro do Oeste e diversas outras cidades do Paraná avançou ontem (26), para uma nova etapa. O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou 49 pessoas investigadas na Operação Panóptico, desencadeada em junho deste ano, contra uma organização criminosa armada de abrangência nacional e com atuação articulada inclusive a partir de estabelecimentos prisionais.

As seis denúncias foram apresentadas pelo Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Umuarama, porém, ocupa posição importante na origem das investigações que deram sustentação à ofensiva. Segundo o MPPR, as novas acusações derivam do compartilhamento de provas obtidas nas operações Alvorada e Libertatem, deflagradas originalmente pelo Núcleo de Umuarama do Gaeco.

A partir desse material, os investigadores conseguiram avançar na identificação de integrantes responsáveis pelas estruturas territorial, logística e financeira da organização criminosa em outras regiões do Paraná.

A Operação Panóptico ganhou as ruas em 15 de junho, em uma das maiores mobilizações recentes contra organizações criminosas no Estado. Foram expedidos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão no Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

No Paraná, as diligências chegaram a 35 municípios. Umuarama e Cruzeiro do Oeste estavam entre as cidades onde as ordens judiciais foram cumpridas, ao lado de municípios como Cianorte, Cascavel, Guaíra, Maringá, Paranavaí, Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu, Guarapuava e Ponta Grossa, entre outros. Fora do Estado, a operação alcançou Naviraí (MS), Joinville (SC), Bauru e Itapecerica da Serra (SP).

MIL POLICIAIS MOBILIZADOS

A dimensão da operação também chamou atenção pela estrutura mobilizada. Aproximadamente mil policiais, distribuídos em 204 equipes, participaram da ofensiva, resultado da integração dos dez núcleos regionais do Gaeco com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e as polícias Militar, Civil, Penal e Científica.

Parte expressiva dos alvos já estava atrás das grades. Dos mandados expedidos, 176 prisões e 92 buscas ocorreram dentro de estabelecimentos prisionais. A investigação busca justamente atingir uma estrutura que, conforme apurado pelas autoridades, mantinha atividades criminosas mesmo com integrantes encarcerados.

Durante as diligências foram apreendidos aproximadamente 1,2 quilo de cocaína, 670 gramas de crack e 700 gramas de maconha, além de oito armas de fogo e cerca de R$ 12 mil em dinheiro. Em Curitiba, as equipes encontraram ainda um imóvel que seria utilizado para preparação de drogas, com prensa e materiais destinados à manipulação de entorpecentes. Também foi localizado um equipamento destinado ao bloqueio de sinais de tornozeleiras eletrônicas.

A operação ainda resultou em prisões em flagrante por tráfico de drogas e obstrução à Justiça.

INVESTIGAÇÃO AVANÇA

Na etapa anunciada nesta quarta-feira, o Gaeco de Londrina informou que as provas compartilhadas permitiram mapear integrantes da chamada “Região 43”, que tem Londrina como cidade-polo. Entre os denunciados estariam pessoas apontadas como integrantes de alto escalão da organização investigada.

Os 49 denunciados responderão, conforme as acusações apresentadas pelo Ministério Público, por crimes relacionados à participação na organização criminosa e pelo delito de favorecimento ao domínio social estruturado, previsto na chamada Lei Antifacção.

Antes mesmo da apresentação das denúncias, o Juízo de Garantias da 2ª Vara Criminal de Londrina havia decretado, a pedido do Gaeco, a prisão preventiva dos investigados.

O avanço do caso reforça a conexão entre diferentes etapas da investigação. Provas produzidas originalmente em trabalhos conduzidos pelo Gaeco de Umuarama contribuíram para ampliar o alcance das apurações, enquanto a Panóptico levou as diligências novamente ao Noroeste, incluindo Umuarama e Cruzeiro do Oeste, além de dezenas de municípios.

A estratégia das autoridades é atingir não apenas integrantes que atuariam diretamente nas ruas, mas também os responsáveis pela logística, movimentação financeira e comando territorial da organização. Com as 49 denúncias apresentadas nesta quarta-feira, a investigação iniciada em diferentes regiões do Paraná entra agora em uma nova fase na Justiça.

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