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Gaeco desarticula esquema milionário de anabolizantes falsos com “grife europeia” no Paraná

Operação Alquimia cumpre mandados, prende suspeitos e revela produção clandestina sem controle sanitário em diversas cidades

15/04/2026 às 16h44
Por: Alex Miranda
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Divulgação
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Uma operação deflagrada na manhã de hoje (15) pelo Núcleo Regional de Maringá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, desmantelou uma organização criminosa especializada na fabricação clandestina e comercialização ilegal de anabolizantes. Batizada de “Operação Alquimia”, a ação revelou um esquema sofisticado que simulava produtos de origem europeia para enganar consumidores e inflacionar preços.

As investigações apontam que o grupo atuava há cerca de cinco anos e movimentava aproximadamente R$ 2,5 milhões por ano. As ordens judiciais foram expedidas pela 4ª Vara Criminal de Maringá e incluem 16 mandados de busca e apreensão, nove de busca pessoal, além da prisão temporária de dois suspeitos apontados como líderes do esquema. Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 12 milhões, além do sequestro de veículos de luxo.

Até o momento, dez pessoas foram presas — sendo duas temporariamente e oito em flagrante. Durante as ações, as equipes apreenderam grande quantidade de anabolizantes, além de uma estufa utilizada para o cultivo de maconha.

As apurações tiveram início em abril de 2025 e identificaram um esquema bem estruturado, que utilizava estratégias de marketing para dar aparência de legalidade aos produtos. O grupo contratava designers e gráficas para produzir rótulos, bulas e embalagens sofisticadas, simulando marcas estrangeiras e atribuindo um falso padrão “premium” às substâncias.

Na prática, porém, a fabricação ocorria em ambientes improvisados, como residências e espaços sem qualquer controle sanitário. Em um dos locais, os anabolizantes eram preparados em banho-maria, sobre fogão doméstico, utilizando óleos culinários e de massagem na composição de substâncias injetáveis, o que representa alto risco à saúde.

A organização mantinha uma rede de distribuição ativa em várias cidades do estado, incluindo Londrina, Arapongas, Cambé e Santo Antônio da Platina. Os produtos eram vendidos principalmente em academias e centros de artes marciais, mas também chegavam a clínicas de estética e até ao varejo farmacêutico, onde eram aplicados sob a falsa promessa de tratamentos de alto desempenho.

A operação contou com o apoio da Vigilância Sanitária e mobilizou cerca de 70 policiais, incluindo equipes da Tropa de Choque da Polícia Militar. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e ampliar o alcance das responsabilidades dentro do esquema.

 

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