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O Sistema FAEP está fortalecendo as ações de apoio aos produtores de bicho-da-seda no Paraná, com a realização de capacitações voltadas às boas práticas de manejo e à redução de perdas na atividade. Os treinamentos, organizados a partir de uma demanda dos sindicatos rurais, buscam contribuir para a manutenção da sericicultura em regiões tradicionais de produção. Dois cursos já ocorreram: o primeiro em julho, em Nova Esperança, município historicamente ligado à produção de seda, e o segundo no início de setembro, em Cianorte.
As capacitações ocorrem em um momento de desafios para a atividade, que tem importância econômica para o Paraná. Em 2024, a sericultura movimentou R$ 53 milhões no Estado, sendo R$ 44,5 milhões envolvendo a produção de casulos, com destaque para Diamante do Sul, e R$ 8,5 milhões vieram da produção de larvas, concentrada em Umuarama.
“O sucesso da atividade depende da adoção de boas práticas de manejo em todas as etapas da criação, desde a implantação do amoreiral até a colheita dos casulos, garantindo produtividade, qualidade da seda e redução das perdas sanitárias. O Sistema FAEP sempre vai apoiar os produtores, com cursos e a busca de políticas públicas que fomentem a atividade”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Em Nova Esperança, a turma reuniu principalmente sericicultores com mais de 20 anos de atuação, o que transformou a capacitação também em um espaço de atualização e troca de experiências. As atividades foram conduzidas pela especialista Alessandra Silva, docente da disciplina de sericicultura no ensino universitário e com experiência em projetos nacionais e internacionais voltados à cadeia produtiva da seda.
“Capacitar o produtor é importante porque o Estado é o principal polo de produção de casulos de seda do país, e a atividade vem diminuindo dia após dia”, afirma a professora. “Precisamos tomar medidas para manter esses produtores e também trazer novos para a sericicultura, atividade patrimônio do Paraná”, destaca.

Entre os participantes do treinamento em Nova Esperança estava a produtora Eliane Bassi, que trabalha com sericicultura desde a infância. A família iniciou a atividade em 1983, com o pai, e, desde 2000, ela mantém a produção ao lado do marido.
“A capacitação foi uma experiência que surpreendeu positivamente, principalmente pela troca de informações entre os participantes”, afirma Eliane.
Atualmente, a família mantém 19 mil metros quadrados de amoreiral, que servem de alimento para as três caixas de larvas por ciclo, cada uma com cerca de 40 mil unidades. Ao longo do ano, são realizadas, em média, oito criadas.
Apesar da experiência acumulada ao longo de décadas, Eliane relata dificuldades nos últimos anos. Segundo a produtora, entre os fatores que têm afetado as criações estão episódios de deriva durante a aplicação de defensivos em propriedades próximas e problemas sanitários nas larvas.
“Na última safra, tive perda de 40%. Mas houve produtores que perderam 100% da produção, em alguns casos por várias criadas consecutivas”, relata.
A redução no número de produtores também preocupa. Conhecida como “Capital da Seda”, Nova Esperança já teve a atividade como um dos motores da economia local.
“Já fomos cerca de 2 mil produtores em Nova Esperança. Hoje somos menos de 100. Somos resistência, mas, a cada mês que passa, vemos mais um produtor desistindo da sericicultura”, lamenta Eliane.
Nesse cenário, a produtora considera fundamental a realização de iniciativas que ofereçam orientação técnica e mantenham os sericicultores mobilizados. Para ela, a capacitação promovida pelo Sistema FAEP contribui tanto para a atualização do manejo quanto para a troca de experiências entre quem permanece na atividade.
Além dos cursos, o Sistema FAEP elaborou uma nota técnica com orientações sobre as principais boas práticas relacionadas à produção do bicho-da-seda. O material reúne recomendações para diferentes etapas da atividade, desde o manejo do amoreiral e das instalações até os cuidados sanitários durante o desenvolvimento das lagartas e a colheita dos casulos.
Entre os pontos abordados está a higienização das instalações. A orientação é que, entre quatro e seis dias antes da chegada das lagartas, o galpão passe por limpeza e desinfecção rigorosas. O procedimento deve envolver as camas de criação, paredes, teto, depósitos e os utensílios utilizados no manejo.
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